quarta-feira, novembro 25, 2015

200 anos do nascimento de Mikhail Bakunin

200 anos do nascimento de Mikhail Bakunin

200 anos do nascimento de Mikhail Bakunin

Série Sagan - A vida procura por vida

Claudio Costa: JOHN SEARLE E O PROBLEMA MENTE-CORPO

Claudio Costa: JOHN SEARLE E O PROBLEMA MENTE-CORPO

Luiz Henrique de Araújo Dutra . O que é filosofia da mente

Alan Moore - Sobre la escritura y los escritores (Subtitulado)

José Saramago - Capitalismo Autoritário

Slavoj Žižek: "Democracia e Capitalismo estão destinados a se separar"

quarta-feira, maio 14, 2014

A Arte de Pensar.


A arte de pensar...

Filosofia (do grego: “amor à sabedoria”).


Representando um esforço da “mente humana consciente”, no intuito de ( por intermédio da razão) compreender a si e ao mundo (o homem e a natureza, da qual é manifestação consciente ),a Filosofia - como atividade de reflexão – tem como compromisso ontológico (referente ao Ser), o aprofundamento das possibilidades existenciais do “ente humano” e seu conhecimento sobre si e sobre o mundo.
A razão, indispensável para o pensamento filosófico, pode ser definida como: capacidade lógico reflexiva da “mente consciente humana” , através da qual esta pode melhor compreender os movimentos regulares e irregulares dos objetos no mundo e em seu corpo psicofísico (corpo físico e mente; a mente incluí a imaginação e memória...) ,analisar , encontrar semelhanças e diferenças entre objetos, denominá-los e defini-los conceitualmente - onde se inclui um olhar para si mesma(a mente consciente, definindo-se por meio da razão, pensando a si) . Tal capacidade manifesta-se segundo certas regras fundamentais, implícitas no desenvolvimento do ato de pensar , em linhas gerais (apresentadas de forma sintética) :

-Ligar sempre, todo particular a uma representação de universal.

ex:Dedução:todo corpo material é composto por átomos > o corpo humano é material > o corpo humano é composto por átomos.
Indução: o corpo humano material é composto por átomos < os corpos materiais de todas as espécies animais e vegetais, conhecidas, são, também, compostos por átomos < todo objeto material é composto por átomos < a matéria é composta por átomos); -Ligar todo individual a uma representação de totalidade . Exemplo: Dedução:a natureza é a totalidade que engloba a tudo que existe > Pedro existe > Pedro é parte da natureza.
Indução: Pedro é indivíduo humano < a espécie humana é manifestação do reino animal < o reino animal é manifestação da natureza < Pedro é um animal, manifestação da natureza . Dependendo do objeto da investigação racional, a ênfase poderá estar na dedução ou na indução,reconhecendo que uma implica na outra (na dedução está implícita a possibilidade de indução e vice versa), sendo o fim sempre o conceito . A esses processos de raciocínio e construção de argumentação, podemos somar a "analogia" e outros recursos de análise lógica. __________________________________________________________________________________ Outros exemplos: - de argumento dedutivo:A natureza é a totalidade existente > tudo que existe é parte da natureza > Pedro existe > Pedro é parte da natureza.


- de argumento indutivo:Os homens são seres vivos, compostos de matéria orgânica e são mortais < os cães são seres vivos, compostos de matéria orgânica e são mortais < os gatos são seres vivos, compostos de matéria orgânica e são mortais < todo ser vivo conhecido, composto de matéria orgânica é mortal < tudo que for vivo e composto de matéria orgânica, será, provavelmente, mortal.


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-Ligar toda especulação teórica a referentes empíricos que, por sua vez, devem estar relacionados com outras noções conceituais conhecidas e claras na consciência , seguindo as exigências do princípio de contradição ( uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo ).


A rede conceitual que forma uma Teoria (visão sobre a realidade - sendo realidade o conjunto de fenômenos aos quais nossa consciência pode ter acesso, incluindo o que é percebido pela própria mente como sendo produto de sua cognição ativa, e de sua imaginação) construída ou analisada por um processo de reflexão filosófica, está aberta a reformulação constante segundo a coerência da análise racional crítica, visando sempre a veracidade e coerência da teoria. Mesmo as definições sobre razão e filosofia estão abertas a re-elaboração racional demonstrando a qualidade auto-crítica da razão filosófica.
Esboços de noções conceituais ( as idéias ainda não transformadas em conceitos) são moldados em um processo de comparação com a rede conceitual da qual se espera recíproco ajuste lógico. Caso essa combinação não aconteça, uma falha (sinal de incoerência lógica) é identificada no processo. A percepção do erro pode exigir a reformulação da rede de conceitos tomados como referência (todos ligados direta ou indiretamente entre si) ou uma nova elaboração mais aprofundada do que se pretende esclarecer , com as devidas correções .


O conceito de consciência ao qual atribuímos a qualidade de sujeito da atividade filosófica, pode ser descrito, sinteticamente, como : qualidade ontológica do animal humano ciente de sua própria existência e de sua própria capacidade de percepção sensível e intelectual .Ser consciente é ser capaz de perceber-se como ente, ciente de seus estados sensíveis em relação com o outro ( outro semelhante; objetos; o mundo como um todo;o ambiente; fenômenos sensíveis ;o próprio corpo ...).Uma das peculiaridades da “consciência humana” é sua capacidade de criar representações de “mundo”, uma idéia ou imagem complexa do Universo (a natureza imaginada em sua totalidade).


Partindo desses pressupostos podemos nos referir a filosofia como uma intencionalidade implícita no uso da razão.Essa arte reflexiva , identificada na história do pensamento filosófico (produto da filosofia e não a própria) , na manifestação expressa do exercício racional de indivíduos dedicados a um pensamento dirigido pela mesma necessidade que a define (a filosofia), apresentou-se , e apresenta-se, como uma ação reflexiva comprometida com o humano e dirigida à compreensão da realidade (que inclui o homem) e sua verdade (sendo “verdade” a correspondência lógica entre pensamento e mundo fenomênico; o que penso deve corresponder com o que percebo de forma a mais exata possível para que possa considerar algo como verídico , mas, como a percepção pode ser enganosa é necessário uma atenta e arguta observação racional ).É um fato histórico que aquilo que sempre foi qualificado como reflexão filosófica, desde os primórdios do pensamento pré-socrático , na antiga Grécia, seguiu essa intenção, embora, tenha se apresentado dentro de roupagens diversas.


As teorias são históricas , mas não a filosofia e a razão (que está na base de sua definição).


Descartando-se a intenção da atividade filosófica e a razão que a orienta,a filosofia torna-se nula.


Podemos ainda falar em filosofia como: um posicionamento da consciência humana diante da realidade (conjunto de fenômenos que se apresentam ao ente humano e que se tornam objetos das definições empreendidas por sua vontade manifesta) um “estar” no mundo caracterizado pela dilatação intencional da capacidade racional ,direcionada à compreensão do ser e de manifestações particulares do mundo fenomênico (vontade de saber ontológico) ,assim como - seguindo uma preocupação prática- um agir com fins de transformação da mesma realidade ,de acordo com as possibilidades identificadas pelos trabalhos da reflexão, diante dos dados manifestos à consciência (vontade ética, política e vontade estética) .


O espanto diante do aparentemente comum e banal é um impulso importante para um movimento reflexivo de caráter filosófico, um olhar de estranhamento “como se fosse a primeira vez”, é o ponto de partida da filosofia.
Amante da filosofia (filósofo:aquele que tem amor à sabedoria; amigo da sabedoria) é aquele que busca a verdade , independente da beleza ou fealdade que suas pesquisas possam revelar pelo caminho e sem render-se ao temor que inspira a grandiosidade desse projeto, comparável ao desejo de abraçar o infinito. O papel desse “estranho”na polis é espalhar a dúvida, incitar a reflexão, despertar o espanto e divulgar o conhecimento . Esse ser que aspira conhecer os fundamentos do Universo é o mesmo que , ao se deparar com aquilo que identifica como aparente falha (na natureza) ou injustiça (nas tragicomédias humanas) , sente-se na obrigação de ultrapassar o erro, no esforço de construção de uma teoria ética , ou de um sistema ideal de governo, por exemplo.



A reflexão filosófica pode ser direcionada para áreas diversas ,denominadas de acordo com o objeto no qual se concentra o pensar filosófico. Assim encontramos disciplinas como:Filosofia do Ser (Ontologia); Teoria do Conhecimento; Ética; Filosofia da Arte (Estética); Filosofia Social e Política; Lógica; Filosofia da História ; Filosofia da Natureza; Antropologia Filosófica; Filosofia da Ciência; Filosofia da Religião ; etc; Sem nunca perder-se a intenção do movimento reflexivo, caracteristicamente filosófico.



Aos produtos da reflexão filosófica ,sistematizada, chamamos “teorias”. As teorias não são “a filosofia”propriamente dita (pois essa é “atividade de reflexão”), mas, resultam do pensar filosófico , são históricas e abertas a crítica, podendo ,porém , influenciar o pensamento filosófico em todas as áreas de sua abrangência. Cada teoria em particular, destaca-se peculiarmente - além da formalização sistemática- , por seguir uma ou algumas idéias (hegemônicas dentro do sistema) originadas de um movimento culminante do pensamento racional, da mente consciente que a expressa . Dessa forma temos algumas teorias que originaram , na história da filosofia , grandes movimentos filosóficos, muitos dos quais se estenderam para outras áreas da atividade humana( na teoria política, na arte, nas ciências...), por exemplo: “O idealismo”; “O Platonismo”; “O Estoicismo”; “Epicurismo”; “Existencialismo”; “Materialismo histórico dialético”; “Empirismo”; “Positivismo”; “Filosofia da Vida”; etc...


É importante destacar o papel unificador que a filosofia exerce na condensação de saberes produzidos originariamente por ciências diversas.Hoje alguns pensadores apostam que o futuro das ciências , cada vez mais próximas , é a revitalização da filosofia.


Tomando o homem como um “ser em construção”, um animal dotado de uma capacidade racional, a qual muitas vezes não expressa adequadamente, e de impulsos naturais dos quais, em sua maioria, não tem conhecimento e aos quais reprime de forma ineficiente , algumas vezes desnecessária (um ser ainda muito ignorante de si mesmo, mas dotado de um forte potencial criativo) , encontramos na filosofia a manifestação de uma vontade de superação da espécie, no reconhecimento de suas fraquezas e possibilidades.






Paulo Vinícius Nascimento Coelho (professor de Filosofia na Escola Estadual de Ensino Médio Cilon Rosa em Santa Maria RS)

quinta-feira, maio 01, 2014

IDEOLOGIA

Conceito de Ideologia:



Ideologia pode ser compreendida como um conjunto de idéias e valores (morais, religiosos, estéticos, filosóficos, políticos...) , organizados de forma sistemática, que orientam e influenciam a conduta e comportamento de indivíduos e grupos humanos em sociedade.

-A ideologia pode ser encarada de forma "positiva" e "negativa", dependendo da intenção de quem a toma "de forma consciente" ou "de quem por ela é influenciado". Nesse sentido, a ideologia pressupõe uma relação entre dominante e dominado ou um posicionamento de escolha e atitude.

-Em sentido "negativo", a ideologia é usada como meio ou ferramenta de dominação , ou discurso de falseamento da realidade , meio de controle social... É nesse sentido que encontramos a ideologia como discurso de sustentação do poder, que sugere a relação entre "dominante" e "dominado passivo" (ou enganado).

-Em sentido "positivo", a ideologia é uma referência ética para a ação ou interpretação da realidade , escolhida de forma supostamente consciente.

-Há ideologias de cunho político, filosófico, religioso, científico , artístico...

-Somos influenciados por ideologias cotidianamente e nem sempre nos damos conta disso; Algumas ideologias se sobrepõem a outras e conseguem melhor disseminação, hegemonia, na sociedade.


P.Vinícius (professor de filosofia e sociologia)

LOGOS X MITO


Logos e Mito



-Essas são palavras de origem grega usadas para caracterizar dois tipos diferentes de discurso sobre a realidade ou duas visões diversas de mundo. Podem ser traduzidas como discurso-palavra, porém, cada uma se refere a um tipo diferente de discurso.
(discurso: modo de expressar um pensamento ou visão de mundo, através da linguagem oral,visual, gestual ou escrita e que pode ser diferente de acordo com a intenção a qual carrega, conteúdo ou forma de expressão usada...)

Logos:

Palavra criada pelo filósofo pré-socrático Heráclito de Éfeso (535 a.C. - 475 a.C) , para designar a “razão universal que governa o mundo” ou a lei dialética que mantém o movimento da natureza.
Dialética, para Heráclito, era a relação entre opostos : tudo e nada; guerra x paz; alegria x tristeza ; vida x morte.... Para Heráclito o universo -natureza estava em constante movimento (panta rhei: tudo flui) , esse movimento era mantido pelo Logos. Para o humano compreender a verdade sobre a natureza e sobre si mesmo (lembrando que para os gregos o homem estava integrado à natureza) deveria buscar acompanhar ou se aproximar do movimento do Logos, mantendo um pensamento constante sobre as coisas. A filosofia , nessa perspectiva, seria uma atividade de reflexão permanente, sempre em busca da compreensão sobre a realidade mutável (em devir = mudança) .

-Logos (de onde deriva a palavra lógica), também, é o discurso racional, que pode ser traduzido simplesmente por “razão”. É o discurso próprio da Filosofia e das disciplinas científicas que dela se originaram; é a fundamentação da visão filosófica e científica de mundo. Não há filosofia ou ciência possível sem racionalidade.

-A verdade na perspectiva do Logos é uma verdade construída seguindo critérios racionais, coerência lógica fundamentada em evidências empíricas (empírico é aquilo que posso perceber com meus sentidos; palpável; físico...). A verdade é uma correspondência entre o que penso e o que minha mente percebe do mundo por intermédio dos sentidos, sendo que meu pensamento deve ser bem construído e coerente, sustentado por hipóteses e ou conceitos bem delimitados e claros.

-O conhecimento construído dentro dessa visão de mundo filosófica e científica, é constantemente construído e remodelado. As teorias* (visões) filosóficas e científicas podem ser desconstruídas e rearquitetadas sob as diretrizes da razão.
Quando novas informações, descobertas ou dados, demonstram que a teoria está incorreta ou que não é mais o suficiente para explicar o que pretende, ela deve ser corrigida ou descartada, o mesmo deve acontecer caso for demonstrado que a teoria está assentada sobre argumentos falhos , falsos ou incorretos. (*uma teoria é uma visão racional sobre algum aspecto da realidade. As teorias orientam a pesquisa filosófica e científica)



Mito:


- O mito é o discurso próprio das religiões e ou visões mitológicas sobre a realidade, também, usado nas histórias poéticas de cunho didático.

- É um tipo de discurso que recorre a recursos poéticos, metáforas, fantasia e imaginação.

-Pode ser qualificado em dois tipos : mito religioso-sagrado (que fundamenta as religiões e tem a pretensão de verdade.Exemplo: “Jeová criou o mundo em seis dias e no sétimo descansou...”) e mito didático-pedagógico ( alegorias, parábolas, usadas com a finalidade de educar, ensinar lições de moral, expressar pensamentos e ideias com o auxílio de recursos poéticos, apelando para a imaginação. Exemplo: a “Alegoria da Caverna” de Platão ou “Mito da Caverna”; histórias infantis usadas para ensinar valores morais às crianças; fábulas clássicas...)

-Para o mito religioso-sagrado a verdade é revelada pela divindade ou por uma força sobrenatural por intermédio de alguma pessoa escolhida dotada de poderes ou dons especiais . Exemplos: entre os espíritas são os médiuns que recebem as mensagens dos espíritos e as comunicam às pessoas “comuns”; entre algumas tribos indígenas xamânicas são os pajés ou xamãs que se comunicam com os deuses ou forças da natureza ; entre os cristãos e judeus, foram os profetas que receberam de Jeová-deus a mensagem sagrada para escreverem os textos bíblicos e hoje os pastores ou padres representam um “canal intermediário” entre os homens e Deus ou seu filho Jesus (que dependendo da vertente cristã é o próprio deus que se fez homem, foi crucificado e ressuscitou para salvar a humanidade etc..); nas religiões antigas politeístas, eram sacerdotes ou pitonisas (sacerdotisas ) que nos templos recebiam as mensagens dos deuses

- A verdade para a visão religiosa assentada no mito, depende de fé, crença e não necessita de justificativa racional. A verdade está assentada em dogmas que fundamentam as doutrinas religiosas e que não podem ser questionados pelo crente.

- A verdade para o mito religioso não muda, no entanto a forma obscura em que o discurso mítico geralmente se apresenta, dadas as metáforas e recursos poéticos, podem gerar muitas vezes a possibilidade de variadas interpretações sobre uma mesma “história” (ou nesse caso, dependendo da perspectiva, estória).

-Os mitos e religiões podem ser boas fontes para a compreensão da visão de mundo ou de culturas do passado e da atualidade, sendo um material rico para pesquisas na área da história, antropologia e filosofia da religião, por exemplo...
Realidade : tudo o que existe e envolve a mente humana, incluindo a própria mente humana. A realidade está aí para ser interpretada e compreendida pela filosofia e pelas ciências , na tentativa de vencer as barreiras das limitações sensoriais , cognitivas e subjetivas, impostas à nossa qualidade de ente consciente. A Filosofia pretende compreender racionalmente a realidade em sua totalidade , as ciências derivadas da filosofia buscam compreender aspectos da realidade de acordo com métodos racionais direcionados à pesquisa dos objetos de estudo que as definem (cada ciência particular tem um objeto de estudo específico que representa uma “área” uma zona delimitada da realidade ).


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Razão: qualidade da mente humana consciente que lhe permite decodificar, separar, qualificar, denominar e organizar as informações e dados que pode captar do mundo e sobre si mesma, através da percepção sensorial. A razão pode construir conceitos, definições sobre as coisas percebidas pela mente, é a ferramenta básica do pensamento de cunho racional e pode ser usada para construção de teorias ou para atender necessidades práticas que exijam uma orientação refletida da inteligência empírica (nossos sentidos).

Ser : essência da natureza-universo, que dependendo da teoria filosófica, possui características e qualidades diferentes; é o princípio que gera os entes, as coisas do mundo e a natureza como um todo. A ontologia é o ramo da filosofia que estuda o Ser.

Ente: são as coisas e seres gerados pelo Ser; nós somos entes, pois, não podemos gerar a nós mesmos, surgimos em meio a um universo já existente...


Importante:

-Para os gregos antigos o homem estava integrado na natureza, era mais uma espécie animal no seio da natureza (phýsis,)diferenciando-se das demais por sua capacidade racional mais apurada e, por esse motivo, deveria desenvolver, da melhor forma possível, essa qualidade que o caracteriza como humano; essa é uma visão diferente da visão preconizada pela tradição judaico-cristã que entende a natureza como algo diferente do homem, sendo a espécie humana imagem e semelhança de deus que criou as demais espécies para servirem ao homem e serem por ele governadas, o que , certamente, influencia em muito a forma agressiva e predatória como tratamos, já há algum tempo, as demais espécies vivas no planeta.

-Toda ciência tem como fundamentação epistemológica uma teoria filosófica. Exemplos:
.as ciências buscam compreender e ou interpretar aspectos da realidade, direcionando pesquisas e pensamento racional sobre os objetos de estudo que as definem. O que é a realidade? Essa é uma questão filosófica.
.as ciências buscam construir conhecimento racional sobre seus objetos de estudo. O que é razão? Como conhecemos a realidade? O que é conhecimento? Questões filosóficas fundamentais.
. quem produz conhecimento é a mente humana. O que é a mente humana e como ela compreende a si mesma e ao mundo circundante? O que é o intelecto? Como funciona a estrutura cognitiva da mente humana? Etc... mais algumas questões filosóficas básicas, importantíssimas para toda e qualquer ciência.



Paulo Vinícius (professor de filosofia e sociologia)

quarta-feira, novembro 13, 2013

Márcia Tiburi - Inação - Existência como doença (completo)

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terça-feira, novembro 12, 2013

Sociologia - Um Esporte de Combate

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segunda-feira, novembro 11, 2013

Hegel e a razão dialética como justificação do drama histórico 1

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C.F. Costa: HEGEL(1): FILOSOFIA DA HISTÓRIA

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Entrevista com Frank Usarski, autor de "O Budismo e as Outras"

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sábado, novembro 09, 2013

RUSH ~Signals/Grace Under Pressure/Power Windows [FULL ALBUMS]

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quarta-feira, dezembro 05, 2012

RESUMO PARA PROVA DO 1° ANO TARDE

Resumo de Filosofia
Escola Cilon Rosa
Professor: Paulo Vinícius

(Esse texto, no blog, pode ajudar para a prova; leiam, também, o capítulo "natureza e cultura" do livro de Filosofia que vocês têm em casa , pois, cairá o conceito de instinto (lembre que o humano não tem instinto) ; e também :

- o conceito de logos e a diferença para o mito;
-Tales, Anaximandro e Heráclito, Empédocles, etc ;
- o conhecimento científico e filosófico que tem pretensão de universalidade, tenta criar interpretações racionais universais sobre a realidade e supera as diferenças culturais (ou pelo menos tem essa pretensão);
- como surgiu a filosofia no mundo grego antigo;
-o que é cosmos (universo organizado racionalmente; ordenado);
-natureza=phýsis)







...VII________VI_______V______IV_______III_______II______I______0______I_______II________III______..._________XXI(hoje)...



-Entre o final do século VII e início do século VI antes de cristo, surge a filosofia no mundo grego antigo, sendo Tales de Mileto o primeiro filósofo.

-os filósofos que viveram antes de Sócrates, são denominados pré-socráticos (viveram antes de Sócrates e as características de suas teorias eram diferentes do pensamento socrático) ou filósofos da natureza (da phýsis) , pois, desejavam compreender racionalmente a natureza. Foram , também, chamados de cosmólogos, já que acreditavam que o universo era um cosmos, ou seja, ordenado racionalmente seguindo leis racionais, o oposto do caos (desordem).

-O período chamado de “ filosofia clássica” inicia com Sócrates ( 469 a.C. — 399 a.C) em Atenas. Platão (428/427 – 348/347 a.C.) foi aluno de Sócrates e tudo que sabemos sobre o pensamento de Sócrates (que não deixou nenhum registro escrito) é o que Platão e os demais discípulos de Sócrates relataram em seus textos. Nas obras de Platão, Sócrates aparece como o personagem principal de seus diálogos que tratam de questões éticas, políticas e teoria do conhecimento. A filosofia Socrática tem como característica o direcionamento da reflexão filosófica para a pólis, para a sociedade humana, não dando a mesma ênfase para a natureza (phýsis), ao contrário dos filósofos pré-socráticos...

-Aristóteles 384 a.C. —, 322 a.C. foi aluno de Platão e viveu também em Atenas, era de origem macedônia e foi professor do imperador Alexandre o grande. Aristóteles criticou a teoria do mundo das idéias de Platão e procurou dar mais importância à observações sobre a realidade sensível. Escreveu sobre ética, estética (filosofia da arte) e política , desenvolveu a lógica e foi um dos precursores da biologia.

- No final do século III DC, viveu a filósofa neo-platônica Hipátia de Alexandria, que foi torturada e assassinada por cristãos fanáticos ...Nesse mesmo período ocorreu a destruição da biblioteca de Alexandria, maior acervo de textos e livros de filosofia, arte e ciências em geral , da época.

-A filosofia na antiguidade, até o declínio do império romano e ascensão do cristianismo, incluía outras ciências como a física, matemática, biologia e astronomia. O filósofo estudava e se dedicava a obtenção de um conhecimento amplo sobre a realidade. Durante a idade média, como resultado do controle da igreja sobre o pensamento filosófico, usando-o para justificar a crença e fundamentar a teologia, as ciências foram aos poucos se distanciando da filosofia e hoje o capitalismo acentua essa fragmentação por interesse meramente econômico.
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Primeiros passos da Filosofia (filo=amor, amizade; sofia= sabedoria)


-A tradição de pensamento filosófico ocidental, nasce no mundo grego antigo no final do século VII AC. As cidades-estados gregas (Pólis) se espalhavam pelos arredores do Mar Mediterrâneo , haviam colônias gregas no sul da Europa ( onde hoje é a atual Itália) , no norte da África, onde hoje é a atual Grécia e na chamada Ásia menor (onde hoje se localiza a Turquia) . Essas cidades guardavam traços comuns da cultura grega como : o idioma , a religião politeísta e aspectos semelhantes de organização política e social .

-Algumas das Pólis gregas foram importantes centros comerciais e culturais da antiguidade, cidades cosmopolitas que atraiam estrangeiros , pessoas de diversos povos e culturas. O intenso movimento dessas cidades e intercâmbio cultural gerava o choque entre valores e visões de mundo diferenciadas, o que promovia uma gradual transformação da cultura e da mentalidade grega. Alguns indivíduos, nessas cidades, demonstravam um ávido interesse por informação e compreensão da realidade , passaram a refletir sobre as diferentes formas de interpretação do mundo trazidas pelos visitantes estrangeiros. Nesse período da história humana, encontramos uma grande multiplicidade de crenças e religiões entre os diversos povos que habitavam o que os gregos entendiam por “mundo conhecido” da época, que abrangia terras da Europa , norte africano e Ásia próxima, se estendendo até a Índia.

-Pensando sobre as diversas formas de interpretação do mundo, ilustradas pelos mitos das religiões predominantes da época, que entravam em choque no ambiente sócio-cultural das cidades cosmopolitas gregas, algumas pessoas começaram a perceber que não haviam critérios consistentes para sustentar como verdade nenhuma dessas propostas de compreensão da realidade, reconhecendo suas limitações e óbvias apelações à imaginação e emoção. Sendo a verdade, para esse tipo de visão de mundo, uma verdade revelada pela divindade, isso levantava a necessidade da crença que levava a questão para um embate entre mitologias, reduzindo tudo à questão de fé. Uma simples observação rápida poderia demonstrar o quanto era problemática a atitude religiosa dentro do contexto apresentado, dada a impossibilidade , assumida pelo próprio posicionamento religioso, de que deuses de tradições religiosas diversas pudessem coexistir, disputando o governo do mundo ou o controle sobre fenômenos da natureza . Embora, o caráter politeísta das religiões antigas pudesse abrir a possibilidade do sincretismo religioso (visto que não era comum nessa época atribuir a nenhuma divindade o poder de ter criado a natureza, mas , sim o de intervir nela ) , isso apenas demonstrava a confusão e a impossibilidade de sustentar com base no mito uma explicação razoável sobre o cosmos, já que não haviam critérios ou justificativas além da própria crença, fundamentada sobre o caráter vago e nebuloso do mito. Um anseio por uma explicação unitária sobre o cosmos (universo ordenado) , talvez, despertada pela necessidade de busca por preservação da identidade grega, de uma cultura espalhada pelo Mediterrâneo , em contato intenso com outras culturas e povos , gerou a curiosidade e o “desejo de verdade” em alguns indivíduos que seriam chamados de “os primeiros filósofos”.

-Na cidades-estados gregas havia uma divisão social hierárquica que, embora, dependesse da organização política de cada cidade independente, guardava traços comuns, como a formação de uma “elite” social com direitos políticos que não podiam ser usufruídos pelo resto da população. Os indivíduos detentores de maiores direitos e recursos, podiam se dedicar com mais tranqüilidade as atividades de cunho contemplativo e estético como a arte e observação da natureza e sociedade .

Em uma importante cidade grega chamada Mileto, localizada na Ásia menor (onde hoje fica a atual Turquia) no final do século VII início do século VI ac, viveu Tales, um indivíduo curioso e ávido por conhecimento. Tales podia, com recursos próprios, viajar em busca de conhecimento em direção aos lugares que na época eram vistos como “centros culturais” como o Egito e a mesopotâmia.
No Egito, que era ainda na época um grande império, Tales aprende a geometria (do grego geo: terra; metria: medição. Utilizada para medição de terrenos; os funcionários do império a mando do faraó faziam essas medições para determinarem o valor dos impostos e estabelecerem o controle sobre a extensão das terras, além de impedirem a confusão na reconstrução das cercas após as cheias do Nilo...), aprende, também, algumas técnicas de engenharia e arquitetura, usadas para a construção das pirâmides e templos egípcios. Tales toma lições do que era na época um começo da astronomia (ainda misturada a astrologia), usada pelos egípcios e mesopotâmicos com finalidades religiosas ou para prever épocas benéficas para a agricultura ... Tales (chamado Tales de Mileto) compreende que essas técnicas matemáticas e formas de manipulação e controle da natureza , demonstravam que era possível supor que na natureza haviam regularidades e que era possível compreendê-la ( a natureza) racionalmente de forma disciplinada, criteriosa. Usando como modelo o tipo de pensamento que aprendeu em suas visitas ao Egito e Mesopotâmia , Tales passa a pensar racionalmente a natureza em busca de uma explicação mais abrangente sobre a realidade .
Tales acreditava que a natureza era uma totalidade material que seguia regularidades , chamou a natureza de phýsis (de onde deriva o termo ‘física”, “físico”) e buscou na própria natureza encontrar as soluções para questões como : “ qual a origem do mundo e da vida”, “qual a forma do planeta Terra”, “ há uma essência da natureza” etc... Para Tales a essência (ou o Ser que gera os entes) da natureza, era a água, um elemento físico que existia em abundância no mundo e sob estados físicos diferentes (sólido, líquido, gasoso). A água era a fonte da vida e origem (arché) de tudo na natureza, ela banhava o planeta e estaria tanto nos céus quanto em nós mesmos. Essa foi a primeira tentativa de criação de uma teoria (visão) filosófica sobre a realidade , fundamentada em observações sobre o mundo e argumentação , uma teoria que se sustentava em hipóteses que podiam ser criticadas e estavam erigidas sobre argumentação racional. Embora, hoje tal teoria pareça ingênua, foi com Tales que a ciência deu seus primeiros passos , visto que, antes o que tínhamos eram apenas tentativas de uso prático da matemática e esboços de pensamento racional não direcionado para a compreensão da natureza como um todo ou para a construção de conhecimento independente e separado da religião. Tales , foi , também, o primeiro grego a prever um eclipse solar com precisão e contribuiu para matemática e física.

-Tales foi um materialista , mas, seu discípulo Anaximandro levanta uma outra via para a filosofia. Anaximandro ,que também viveu em Mileto, sustentou a hipótese de que a natureza (phýsis) tinha como princípio gerador algo que não era material ou físico. Para ele, o mundo era originado pelo que chamava de ápeiron , um princípio ou força invisível, ilimitado, infinito e eterno, que gerava a natureza , sendo a essência do mundo. Muito provavelmente, Anaximandro tenha assumido essa teoria ao observar que as regularidades na natureza poderiam ser entendidas como leis , e são leis não palpáveis, ou seja, não podemos tocar ou ver tais leis, apenas percebemos o que geram na natureza. Anaximandro tinha, também, uma teoria sobre a evolução das espécies onde dizia que : a vida teria surgido em meio úmido, na água os peixes teriam se desenvolvido deles surgiriam com o tempo os anfíbios , da evolução dos anfíbios surgem os mamíferos e entre esses o homem. É considerado o pai da geografia, tendo desenhado diversos mapas sobre o “mundo conhecido” da época.
Retomando a linha de pensamento de Tales, quanto a essência material da phýsis, Anaxímenes diz que é o ar a essência da natureza, algo material , porém, invisível ao olho nu, que anima os corpos vivos.



Logos e Mito

-Essas são palavras de origem grega usadas para caracterizar dois tipos diferentes de discurso sobre a realidade ou duas visões diversas de mundo. Podem ser traduzidas como discurso-palavra, porém, cada uma se refere a um tipo diferente de discurso.
(discurso: modo de expressar um pensamento ou visão de mundo, através da linguagem oral,visual, gestual ou escrita e que pode ser diferente de acordo com a intenção a qual carrega, conteúdo ou forma de expressão usada...)


Logos:


Palavra criada pelo filósofo pré-socrático Heráclito de Éfeso (535 a.C. - 475 a.C) , para designar a “razão universal que governa o mundo” ou a lei dialética que mantém o movimento da natureza.
Dialética, para Heráclito, era a relação entre opostos : tudo e nada; guerra x paz; alegria x tristeza ; vida x morte.... Para Heráclito o universo -natureza estava em constante movimento (panta rhei: tudo flui) , esse movimento era mantido pelo Logos. Para o humano compreender a verdade sobre a natureza e sobre si mesmo (lembrando que para os gregos o homem estava integrado à natureza) deveria buscar acompanhar ou se aproximar do movimento do Logos, mantendo um pensamento constante sobre as coisas. A filosofia , nessa perspectiva, seria uma atividade de reflexão permanente, sempre em busca da compreensão sobre a realidade mutável (em devir = mudança) .

-Logos (de onde deriva a palavra lógica), também, é o discurso racional, que pode ser traduzido simplesmente por “razão”. É o discurso próprio da Filosofia e das disciplinas científicas que dela se originaram; é a fundamentação da visão filosófica e científica de mundo. Não há filosofia ou ciência possível sem racionalidade.


-A verdade na perspectiva do Logos é uma verdade construída seguindo critérios racionais, coerência lógica fundamentada em evidências empíricas (empírico é aquilo que posso perceber com meus sentidos; palpável; físico...). A verdade é uma correspondência entre o que penso e o que minha mente percebe do mundo por intermédio dos sentidos, sendo que meu pensamento deve ser bem construído e coerente, sustentado por hipóteses e ou conceitos bem delimitados e claros.

-o conhecimento construído dentro dessa visão de mundo filosófica e científica, é constantemente construído e remodelado. As teorias (visões) filosóficas e científicas podem ser desconstruídas e rearquitetadas sob as diretrizes da razão.
Quando novas informações, descobertas ou dados, demonstram que a teoria está incorreta ou que não é mais o suficiente para explicar o que pretende, ela deve ser corrigida ou descartada, o mesmo deve acontecer caso for demonstrado que a teoria está assentada sobre argumentos falhos , falsos ou incorretos. (uma teoria é uma visão racional sobre algum aspecto da realidade. As teorias orientam a pesquisa filosófica e científica)



Mito:


- o mito é o discurso próprio das religiões e ou visões mitológicas sobre a realidade, também, usado nas histórias poéticas de cunho didático.

- é um tipo de discurso que recorre a recursos poéticos, metáforas, fantasia e imaginação.


-pode ser qualificado em dois tipos : mito religioso-sagrado (que fundamenta as religiões e tem a pretensão de verdade.Exemplo: “Jeová criou o mundo em seis dias e no sétimo descansou...”) e mito didático-pedagógico ( alegorias, parábolas, usadas com a finalidade de educar, ensinar lições de moral, expressar pensamentos e ideias com o auxílio de recursos poéticos, apelando para a imaginação. Exemplo: a “alegoria da caverna” de Platão ou “mito da caverna”; histórias infantis usadas para ensinar valores morais às crianças; fábulas clássicas...)

-para o mito religioso-sagrado a verdade é revelada pela divindade ou por uma força sobrenatural por intermédio de alguma pessoa escolhida dotada de poderes ou dons especiais . Exemplos: entre os espíritas são os médiuns que recebem as mensagens dos espíritos e as comunicam às pessoas “comuns”; entre algumas tribos indígenas xamânicas são os pajés ou xamãs que se comunicam com os deuses ou forças da natureza ; entre os cristãos e judeus, foram os profetas que receberam de Jeová-deus a mensagem sagrada para escreverem os textos bíblicos e hoje os pastores ou padres representam um “canal intermediário” entre os homens e Deus ou seu filho Jesus (que dependendo da vertente cristã é o próprio deus que se fez homem, foi crucificado e ressuscitou para salvar a humanidade etc..); nas religiões antigas politeístas, eram sacerdotes ou pitonisas (sacerdotisas ) que nos templos recebiam as mensagens dos deuses

- a verdade para a visão religiosa assentada no mito, depende de fé, crença e não necessita de justificativa racional. A verdade está assentada em dogmas que fundamentam as doutrinas religiosas e que não podem ser questionados pelo crente.


- a verdade para o mito religioso não muda, no entanto a forma obscura em que o discurso mítico geralmente se apresenta, dadas as metáforas e recursos poéticos, podem gerar muitas vezes a possibilidade de variadas interpretações sobre uma mesma “história” (ou nesse caso, dependendo da perspectiva, estória).

-os mitos e religiões podem ser boas fontes para a compreensão da visão de mundo ou de culturas do passado e da atualidade, sendo um material rico para pesquisas na área da história, antropologia e filosofia da religião, por exemplo...


Realidade : tudo o que existe e envolve a mente humana, incluindo a própria mente humana. A realidade está aí para ser interpretada e compreendida pela filosofia e pelas ciências , na tentativa de vencer as barreiras das limitações sensoriais , cognitivas e subjetivas, impostas à nossa qualidade de ente consciente. A Filosofia pretende compreender racionalmente a realidade em sua totalidade , as ciências derivadas da filosofia buscam compreender aspectos da realidade de acordo com métodos racionais direcionados à pesquisa dos objetos de estudo que as definem (cada ciência particular tem um objeto de estudo específico que representa uma “área” uma zona delimitada da realidade ).
Razão: qualidade da mente humana consciente que lhe permite decodificar, separar, qualificar, denominar e organizar as informações e dados que pode captar do mundo e sobre si mesma, através da percepção sensorial. A razão pode construir conceitos, definições sobre as coisas percebidas pela mente, é a ferramenta básica do pensamento de cunho racional e pode ser usada para construção de teorias ou para atender necessidades práticas que exijam uma orientação refletida da inteligência empírica (nossos sentidos).




Ser : essência da natureza-universo, que dependendo da teoria filosófica, possui características e qualidades diferentes; é o princípio que gera os entes, as coisas do mundo e a natureza como um todo. A ontologia é o ramo da filosofia que estuda o Ser.
Ente: são as coisas e seres gerados pelo Ser; nós somos entes, pois, não podemos gerar a nós mesmos, surgimos em meio a um universo já existente...


Importante: -Para os gregos antigos o homem estava integrado na natureza, era mais uma espécie animal no seio da natureza (phýsis,)diferenciando-se das demais por sua capacidade racional mais apurada e, por esse motivo, deveria desenvolver, da melhor forma possível, essa qualidade que o caracteriza como humano; essa é uma visão diferente da visão preconizada pela tradição judaico-cristã que entende a natureza como algo diferente do homem, sendo a espécie humana imagem e semelhança de deus que criou as demais espécies para servirem ao homem e serem por ele governadas, o que , certamente, influencia em muito a forma agressiva e predatória como tratamos, já há algum tempo, as demais espécies vivas no planeta.



-Toda ciência tem como fundamentação epistemológica uma teoria filosófica. Exemplos:


.as ciências buscam compreender e ou interpretar aspectos da realidade, direcionando pesquisas e pensamento racional sobre os objetos de estudo que as definem. O que é a realidade? Essa é uma questão filosófica.
.as ciências buscam construir conhecimento racional sobre seus objetos de estudo. O que é razão? Como conhecemos a realidade? O que é conhecimento? Questões filosóficas fundamentais.
. quem produz conhecimento é a mente humana. O que é a mente humana e como ela compreende a si mesma e ao mundo circundante? O que é o intelecto? Como funciona a estrutura cognitiva da mente humana? Etc... mais algumas questões filosóficas básicas, importantíssimas para toda e qualquer ciência.





A cultura ocidental

A cultura ocidental é a cultura que se desenvolve no velho continente (Europa) e se espalha pelo mundo através do processo de expansão colonialista europeu desde o século XV e hoje com a globalização do mercado capitalista .
Encontramos três pilares de sustentação da cultura ocidental:


- a tradição de pensamento filosófico-científico que surge no mundo grego antigo (fim do século vii AC) , fundamentada no discurso racional.

- a tradição religiosa judaico-cristã , em especial o cristianismo, que deriva do judaísmo e que tem como livro sagrado a bíblia.

-o capitalismo moderno ( desenvolvimento intensificado do modo de produção capitalista originado a partir da decadência do feudalismo e ascensão da burguesia que derruba o antigo regime - o absolutismo; reis - , através das revoluções burguesas que tiveram o apoio de camadas menos favorecidas na Europa ) . O capitalismo moderno é o capitalismo industrial intensificado no século xix com a expansão imperialista européia, quando as potências capitalistas da época (França, Inglaterra, Bélgica , Alemanha , Holanda...) buscam expandir seus domínios em busca de terras para exploração de mão de obra , matéria prima e mercado consumidor. Hoje o capitalismo além da acentuada industrialização caracteriza-se pela economia virtual financeira.

-Essas três fontes de influência, combinadas, misturadas no decorrer da história, vão formando o que hoje entendemos por “cultura ocidental”.

-Ao final do Império Romano, com as invasões bárbaras, a Europa entra em um período de retrocesso cultural e fragmentação política, é a chamada idade média. Na idade média a igreja católica ( resquício ainda forte do Império Romano) estende sua influência sobre a Europa , dominando ideologicamente os povos bárbaros e negociado com os nobres o controle do velho continente. A Europa está dividida em feudos e o que une essa grande diversidade cultural, (representada pela variedade das tribos bárbaras e da estrutura política fragmentada do feudalismo) , é a religião cristã em sua vertente católica.

-Durante boa parte da idade média o catolicismo tentou controlar a cultura e impor uma visão de mundo hegemônica fundamentada na doutrina bíblica sob interpretação católica. A filosofia foi, nesse período, subjugada à teologia, manipulada pelo interesse da igreja, usada apenas para justificar a crença. O pensamento autônomo, livre, foi impedido e, durante a inquisição , quem se opusesse à igreja arriscava-se a ser condenado por heresia, podendo sofrer tortura ou morte dolorosa em fogueiras, afogamento ou instrumentos de tortura medievais... Com o tempo, aquilo que dentro da filosofia não oferecia perigo a doutrina religiosa, pôde ser desenvolvido com relativa tranqüilidade, desde que não ameaçasse o poder da igreja, dessa forma as ciências derivadas da filosofia foram se distanciando de sua matriz e assistimos, então, a fragmentação da ciência que hoje é acentuada com o capitalismo que transforma a ciência em ferramenta para geração de lucro. O capitalismo faz do cientista contemporâneo mais um operário da indústria capitalista que explora o conhecimento científico, assim a fundamentação filosófica, inata à toda ciência, é esquecida e a manipulação, de cunho mercantil, sobre o conhecimento científico é facilitada. Porém, há tentativas de retomada de uma visão mais ampla sobre a ciência , buscando o diálogo trans -disciplinar entre todas as ciências, o que sugere a retomada do pensamento filosófico, como eixo central do “edifício da ciência”.
“Uma vida sem reflexão não merece ser vivida.”
Sócrates

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Indústria Cultural (esse texto é uma compilação de alguns textos retirados da internet...)


O termo indústria cultural (em alemão Kulturindustrie) foi cunhado pelos filósofos e sociólogos alemães Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973), a fim de designar a situação da arte na sociedade capitalista industrial
O mundo vive num sistema econômico-político-cultural capitalista e o surgimento da sociedade capitalista transformou as manifestações culturais em produto. Este cenário desencadeou a formação da indústria cultural, que é o conjunto de empresas, instituições e redes de mídia que produzem, distribuem e transmitem conteúdo artístico – cultural com o objetivo de adquirir lucros.
A heterogeneidade da indústria cultural brasileira é percebida não somente no grau de diversidade cultural e territorial de nosso país, mas por focar conteúdos de culturas estrangeiras em detrimento de nosso conteúdo nacional. Quando ocorre em nossas mídias uma exposição de nossos valores e identidades, há o abarcamento de interesse comercial que interfere no que deve ser mostrado para adquirir audiência.
A produção da indústria cultural é direcionada para o retorno de lucros tendo como base padrões de imagem cultural pré – estabelecida e capazes de conquistar o interesse das massas sem trabalhar o caráter crítico do expectador. Para se manter e conquistar público , a produção cultural não objetiva somente a expressão artística , quando esta planejada sob pretensões profissionais.
A expressão tendencial elaborada com elementos artísticos é incluída num produto cultural como forma de diferenciação. A indústria cultural assim como toda indústria está atenta a custos, distribuição e retorno de lucros.
Um forte exemplo de indústria cultural é a televisão que apresenta pontos positivos em possuir ótima cobertura geográfica, penetração de público e variedade de conteúdo em vários horários, mas ao mesmo tempo apresenta conteúdos sensacionalistas. A arte em geral , as manifestações histórico – culturais e a identidade de uma região servem como inspiração e conteúdo de obra e produto cultural.Em suma a indústria cultural busca produzir algo que conquiste público e relevância comercial e se ramifique em produtos licenciados.

A arte seria tratada simplesmente como objeto de mercadoria, estando sujeita as leis de oferta e procura do mercado. Ela encorajaria uma visão passiva e acrítica do mundo ao dar ao público apenas o que ele quer, desencorajando o esforço pessoal pela posse de uma nova experiência estética. As pessoas procurariam apenas o conhecido, o já experimentado. Por outro lado, essa indústria prejudicaria também a arte séria, neutralizando sua crítica a sociedade


sexta-feira, agosto 31, 2012

LIVROS DE FILOSOFIA PARA BAIXAR (2)

http://canaldoensino.com.br/blog/baixe-livros-de-20-autores-colecao-os-pensadores


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"A Coleção “Os Pensadores” foi uma iniciativa única no Brasil de publicação das obras mais influentes do pensamento ocidental. Foi publicada originalmente pela editora Abril Cultural, na década de 1970.

A coleção fazia parte da estratégia da editora, que via o grande retorno que publicações em fascículos rendiam. Anos antes, a Abril Cultural já houvera publicado uma edição de luxo da Bíblia Sagrada e livros de receita, diretamente em bancas de jornal, com enorme sucesso de vendas. Havia à época pouquíssimo material de Filosofia publicado no Brasil. De fato, apenas com “Os Pensadores” que várias obras clássicas receberam tradução no país. Totalizavam cinqüenta e três números, do I ao LIII, abordando diversas correntes do pensamento, de Platão a Marx, passando por Montaigne e Levi-Strauss. Os volumes dedicados a Platão, aliás, bateram recordes de vendagem no segmento.

A despeito de serem obras de referência obrigatória para grande maioria de cursos universitários de Ciências Humanas no Brasil, apenas as primeiras edições são de fato requeridas. Durante as últimas décadas, a divisão de fascículos Abril Cultural separou-se da Editora Abril, chamando-se então Nova Cultural. A nova editora herdou todo o portifólio da anterior, incluindo “Os Pensadores”, quais foram republicados algumas vezes. A qualidade das novas edições é considerada aquém das originais, na medida em que não se publica mais o texto integral das obras, e somente coletâneas desordenadas de capítulos. Além disso, não foram republicados nem metade dos autores iniciais. A procura pelos títulos permanece grande sobretudo em sebos, onde se pode encontrá-los com relativa facilidade (dos que estão em ótimo, aos de péssimo estado). Em livrarias há grande dificuldade de se encontrar, a despeito do interesse dos lojistas e de leitores.

Confira os livros disponíveis, de acordo com o autor:

Pré-Socráticos

Sócrates

Platão

Aristóteles

Epicuro, Lucrécio, Cícero, Sêneca e Marco Aurélio

Santo Agostinho

Santo Anselmo e Abelardo

Tomas de Aquino e Dante

Giordano Bruno, Galileu Galilei e Tommaso Campanella

Hobbes

Espinosa

Locke

Diderot

Rousseau

Kierkegaard

Nietzsche

Comte

Bachelard

Wittgenstein

Fonte: Filosofia Ocupada

LIVROS DE FILOSOFIA PARA BAIXAR...

http://portal.aprendiz.uol.com.br/2012/02/27/colecao-%E2%80%9Cos-pensadores%E2%80%9D-digital-baixe-livros-de-20-autores/


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quarta-feira, agosto 22, 2012

Como Nasceu Nosso Planeta - History Channel-VÍDEO PARA A DISCIPLINA DE FILOSOFIA

Carl Sagan: Cosmos 2 - Uma Voz na Sinfonia Cósmica (Dublado em Português)-VÍDEO PARA A DISCIPLINA DE FILOSOFIA






Tribo - Hamar- VÍDEO PARA AULAS DE SOCIOLOGIA (ENSINO MÉDIO-CILON -DIURNO E NOTURNO)



Tribo - Hamar- VÍDEO PARA AULAS DE SOCIOLOGIA (ENSINO MÉDIO-CILON -DIURNO E NOTURNO)
-TEMA: ANTROPOLOGIA CULTURAL

TRABALHOS DE FILOSOFIA PARA OS PRIMEIROS ANOS -TARDE


1°TRABALHO EM GRUPO. Apresentar em forma de cartaz A3( emplastificado)o tema escolhido pelo grupo ( os temas foram selecionados em sala de aula ).



2° TRABALHO EM GRUPO. Apresentar em forma de cartaz A3( emplastificado)o tema "ÉTICA, MORAL E CULTURA".Tomar como referência o que foi trabalhado em aula e os capítulos 17-18 do livro "Filosofando". Desenvolver texto (que será apresentado no cartaz) respondendo as perguntas : -o que é Ética para a Filosofia? O que é Moral e como a Moral influencia e é influenciada pela cultura? Exemplos de teorias éticas.



não esquecer de colocar no canto direito, abaixo no cartaz :referências para a pesquisa/ nomes dos alunos/turma/ nome da disciplina/nome do professor/ano

TRABALHO DE FILOSOFIA PARA OS 2° E 3° ANOS do noturno.

- Apresentar em forma de cartaz (A3, emplastificado) o tópico escolhido pelo grupo relativo a Teoria do Conhecimento e a Metafísica na Modernidade (cada grupo escolheu em sala de aula um tópico dentro desse tema)


-temas sugeridos :

.o empirismo britânico
.o racionalismo cartesiano
.renascimento
.a teoria do conhecimento de D.Hume
.a teoria do conhecimento de J.Locke
.Francis Bacon e sua proposta para uma ciência indutiva e experimental "O novum Organum"
.Nicolau Copérnico
.Galileu

não esquecer de colocar no canto direito, abaixo no cartaz :referências para a pesquisa/ nomes dos alunos/turma/ nome da disciplina/nome do professor/ano.

2° TRABALHO DE SOCIOLOGIA (apenas para as turmas da noite)

- Responder, em dupla, as seguintes questões referentes ao conteúdo do 2° trimestre:


1-Qual a importância de Maquiavel para a Ciência Política e o que aborda em seu livro "O príncipe"?

2-Explique as teorias contratualistas de:

a-Thomas Hobbes
b-John Locke
c-J.J.Rousseau

3-Qual foi a grande contribuição de Montesquieu para o pensamento político? Explique.

4-Explique:
a-O que é democracia representativa?
b-O que é democracia direta?


5- O que é liberalismo e de que forma pode ser abordado ( os três aspectos do liberalismo clássico trabalhados em aula) ?

1° TRABALHO DE SOCIOLOGIA

1°trabalho de Sociologia para ensino médio ( turmas da manhã e noite- 2° trimestre/ escola Cilon Rosa- SM) :

apresentar em forma de cartaz (A3 emplastificado) o tema escolhido pelo grupo (o país escolhido). Após a apresentação geral do país, abordar um aspecto da história socio-político-cultural do mesmo, temas abordados em aula na disciplina de Sociologia. Exemplos:

-sistema político , forma de governo
-classes sociais
-etnia(s) que forma(m) a população
-modo de produção
-aspectos culturais (arte, religião, comportamento da população, moral...)
-desigualdade social e idh (índice de desenvolvimento humano)
-movimentos populares que se destacam nessa sociedade ...


não esquecer de colocar no canto direito, abaixo no cartaz :referências para a pesquisa/ nomes dos alunos/turma/ nome da disciplina/nome do professor/ano

terça-feira, agosto 14, 2012

Ágora (de Alejandro Amenábar) Trailer Legendado (FILME TRABALHADO NA DISCIPLINA DE FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO)

NEDS - Trailer legendado (FILME TRABALHADO NA DISCIPLINA DE SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO)

exemplos de falácias:

“Não cometerás nenhuma dessas 24 falácias lógicas”





por Fábio Rodrigues
em 03/05/2012 às 11:00 | Cultura, Listas e guias, Principal
81 COMENTÁRIOS
O filósofo, matemático e cientista americano Charles Sanders Peirce fala que as lógicas são “ferramentas para o raciocínio correto”.

Não sou nenhum grande entendido sobre o assunto, mas acho lógica um assunto fascinante. O pouco que conheço e observo já acaba sempre sendo muito útil em conversas, diálogos, em qualquer ocasião que peça algum tipo de análise, construção e exposição de raciocínio ou argumentação.

Agora, quando falamos “construção e exposição de raciocínio ou argumentação“, isso pode ficar parecendo uma coisa meio séria, sisuda, de professor de filosofia ou discussões inflamadas entre ateus e crentes na internet. Mas a verdade é que fazemos isso o tempo todo. As lógicas são o próprio esqueleto que torna as linguagens (dos idiomas à matemática, passando, e muito, por tecnologia da informação) possíveis.

Como de fato dependemos disso pra nos relacionarmos uns com os outros, para nos fazer entender claramente, melhorar nossa forma de pensar e para resolvermos as coisas práticas da vida, pode ser bem útil conhecer e entender estes processos, ainda que superficialmente.


Platão, Sócrates e Aristóteles estão sempre prontos para uma boa argumentação
Já demos algumas pinceladas sobre o tema aqui no PapodeHomem, mencionando algumas das famosas falácias de lógica argumentativa – que são um capítulo específico dentro do tema, mas que tem aplicações bem práticas. E estamos também preparando um novo material, bem completo, tratando não só de lógica, mas das noções de debate, diálogo e conversação, que são temas relacionados, igualmente ricos, complexos e comumente pouco explorados.

Agora achei o site Thou Shalt Not Commit Logical Fallacies, o mais simpático que já vi sobre o assunto. Ele lista as 24 falácias mais comuns, em linguagem simples, com exemplos engraçadinhos, e tem até um pôster para você baixar em PDF, mandar imprimir na gráfica e colar na parede. Tudo de graça.

Como em português o material sobre isso é escasso, e esse é um conhecimento bem importante quando se quer travar diálogos e debates saudáveis, resolvemos fazer um esforço extra e traduzir todo o conteúdo do Thou Shalt Not… para disponibilizar aqui.

Abaixo, 24 das mais comuns falácias lógicas argumentativas. A numeração não indica nenhum tipo de hierarquia entre elas, é apenas para facilitar futuras referencias a exemplos específicos.

Leia, entenda e não as use.

1. Espantalho
Você desvirtuou um argumento para torná-lo mais fácil de atacar.

Ao exagerar, desvirtuar ou simplesmente inventar um argumento de alguém, fica bem mais fácil apresentar a sua posição como razoável ou válida. Este tipo de desonestidade não apenas prejudica o discurso racional, como também prejudica a própria posição de alguém que o usa, por colocar em questão a sua credibilidade – se você está disposto a desvirtuar negativamente o argumento do seu oponente, será que você também não desvirtuaria os seus positivamente?

Exemplo: Depois de Felipe dizer que o governo deveria investir mais em saúde e educação, Jader respondeu dizendo estar surpreso que Felipe odeie tanto o Brasil, a ponto de querer deixar o nosso país completamente indefeso, sem verba militar.

***

2. Causa Falsa
Você supôs que uma relação real ou percebida entre duas coisas significa que uma é a causa da outra.

Uma variação dessa falácia é a “cum hoc ergo propter hoc” (com isto, logo por causa disto), na qual alguém supõe que, pelo fato de duas coisas estarem acontecendo juntas, uma é a causa da outra. Este erro consiste em ignorar a possibilidade de que possa haver uma causa em comum para ambas, ou, como mostrado no exemplo abaixo, que as duas coisas em questão não tenham absolutamente nenhuma relação de causa, e a sua aparente conexão é só uma coincidência.

Outra variação comum é a falácia “post hoc ergo propter hoc” (depois disto, logo por causa disto), na qual uma relação causal é presumida porque uma coisa acontece antes de outra coisa, logo, a segunda coisa só pode ter sido causada pela primeira.

Exemplo: Apontando para um gráfico metido a besta, Rogério mostra como as temperaturas têm aumentado nos últimos séculos, ao mesmo tempo em que o número de piratas têm caído; sendo assim, obviamente, os piratas é que ajudavam a resfriar as águas, e o aquecimento global é uma farsa.

***

3. Apelo à emoção
Você tentou manipular uma resposta emocional no lugar de um argumento válido ou convincente.

Apelos à emoção são relacionados a medo, inveja, ódio, pena, orgulho, entre outros.

É importante dizer que às vezes um argumento logicamente coerente pode inspirar emoção, ou ter um aspecto emocional, mas o problema e a falácia acontecem quando a emoção é usada no lugar de um argumento lógico. Ou, para tornar menos claro o fato de que não existe nenhuma relação racional e convincente para justificar a posição de alguém.

Exceto os sociopatas, todos são afetados pela emoção, por isso apelos à emoção são uma tática de argumentação muito comum e eficiente. Mas eles são falhos e desonestos, com tendência a deixar o oponente de alguém justificadamente emocional.

Exemplo: Lucas não queria comer o seu prato de cérebro de ovelha com fígado picado, mas seu pai o lembrou de todas as crianças famintas de algum país de terceiro mundo que não tinham a sorte de ter qualquer tipo de comida.

***

4. A falácia da falácia
Supor que uma afirmação está necessariamente errada só porque ela não foi bem construída ou porque uma falácia foi cometida.

Há poucas coisas mais frustrantes do que ver alguém argumentar de maneira fraca alguma posição. Na maioria dos casos um debate é vencido pelo melhor debatedor, e não necessariamente pela pessoa com a posição mais correta. Se formos ser honestos e racionais, temos que ter em mente que só porque alguém cometeu um erro na sua defesa do argumento, isso não necessariamente significa que o argumento em si esteja errado.

Exemplo: Percebendo que Amanda cometeu uma falácia ao defender que devemos comer alimentos saudáveis porque eles são populares, Alice resolveu ignorar a posição de Amanda por completo e comer Whopper Duplo com Queijo no Burger King todos os dias.

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5. Ladeira Escorregadia
Você faz parecer que o fato de permitirmos que aconteça A fará com que aconteça Z, e por isso não podemos permitir A.

O problema com essa linha de raciocínio é que ela evita que se lide com a questão real, jogando a atenção em hipóteses extremas. Como não se apresenta nenhuma prova de que tais hipóteses extremas realmente ocorrerão, esta falácia toma a forma de um apelo à emoção do medo.

Exemplo: Armando afirma que, se permitirmos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, logo veremos pessoas se casando com seus pais, seus carros e seus macacos Bonobo de estimação.

Exemplo 2: a explicação feita após o terceiro subtítulo – “O voto divergente do ministro Ricardo Lewandowski e a ladeira escorregadia” - deste texto sobre aborto. Vale a leitura.

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6. Ad hominem
Você ataca o caráter ou traços pessoais do seu oponente em vez de refutar o argumento dele.

Ataques ad hominem podem assumir a forma de golpes pessoais e diretos contra alguém, ou mais sutilmente jogar dúvida no seu caráter ou atributos pessoais. O resultado desejado de um ataque ad hominem é prejudicar o oponente de alguém sem precisar de fato se engajar no argumento dele ou apresentar um próprio.

Exemplo: Depois de Salma apresentar de maneira eloquente e convincente uma possível reforma do sistema de cobrança do condomínio, Samuel pergunta aos presentes se eles deveriam mesmo acreditar em qualquer coisa dita por uma mulher que não é casada, já foi presa e, pra ser sincero, tem um cheiro meio estranho.

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7. Tu quoque (você também)
Você evitar ter que se engajar em críticas virando as próprias críticas contra o acusador – você responde críticas com críticas.

Esta falácia, cuja tradução do latim é literalmente “você também”, é geralmente empregada como um mecanismo de defesa, por tirar a atenção do acusado ter que se defender e mudar o foco para o acusador.

A implicação é que, se o oponente de alguém também faz aquilo de que acusa o outro, ele é um hipócrita. Independente da veracidade da contra-acusação, o fato é que esta é efetivamente uma tática para evitar ter que reconhecer e responder a uma acusação contida em um argumento – ao devolver ao acusador, o acusado não precisa responder à acusação.

Exemplo: Nicole identificou que Ana cometeu uma falácia lógica, mas, em vez de retificar o seu argumento, Ana acusou Nicole de ter cometido uma falácia anteriormente no debate.

Exemplo 2: O político Aníbal Zé das Couves foi acusado pelo seu oponente de ter desviado dinheiro público na construção de um hospital. Aníbal não responde a acusação diretamente e devolve insinuando que seu oponente também já aprovou licitações irregulares em seu mandato.

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8. Incredulidade pessoal
Você considera algo difícil de entender, ou não sabe como funciona, por isso você dá a entender que não seja verdade.

Assuntos complexos como evolução biológica através de seleção natural exigem alguma medida de entendimento sobre como elas funcionam antes que alguém possa entendê-los adequadamente; esta falácia é geralmente usada no lugar desse entendimento.

Exemplo: Henrique desenhou um peixe e um humano em um papel e, com desdém efusivo, perguntou a Ricardo se ele realmente pensava que nós somos babacas o bastante para acreditar que um peixe acabou evoluindo até a forma humana através de, sei lá, um monte de coisas aleatórias acontecendo com o passar dos tempos.

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9. Alegação especial
Você altera as regras ou abre uma exceção quando sua afirmação é exposta como falsa.

Humanos são criaturas engraçadas, com uma aversão boba a estarem errados.

Em vez de aproveitar os benefícios de poder mudar de ideia graças a um novo entendimento, muitos inventarão modos de se agarrar a velhas crenças. Uma das maneiras mais comuns que as pessoas fazem isso é pós-racionalizar um motivo explicando o porque aquilo no qual elas acreditavam ser verdade deve continuar sendo verdade.

É geralmente bem fácil encontrar um motivo para acreditar em algo que nos favorece, e é necessária uma boa dose de integridade e honestidade genuína consigo mesmo para examinar nossas próprias crenças e motivações sem cair na armadilha da auto-justificação.

Exemplo: Eduardo afirma ser vidente, mas quando as suas “habilidades” foram testadas em condições científicas apropriadas, elas magicamente desapareceram. Ele explicou, então, que elas só funcionam para quem tem fé nelas.

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10. Pergunta carregada
Você faz uma pergunta que tem uma afirmação embutida, de modo que ela não pode ser respondida sem uma certa admissão de culpa.

Falácias desse tipo são particularmente eficientes em descarrilar discussões racionais, graças à sua natureza inflamatória – o receptor da pergunta carregada é compelido a se justificar e pode parecer abalado ou na defensiva. Esta falácia não apenas é um apelo à emoção, mas também reformata a discussão de forma enganosa.

Exemplo: Graça e Helena estavam interessadas no mesmo homem. Um dia, enquanto ele estava sentado próximo suficiente a elas para ouvir, Graça pergunta em tom de acusação: “como anda a sua rehabilitação das drogas, Helena?”

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11. Ônus da prova
Você espera que outra pessoa prove que você está errado, em vez de você mesmo provar que está certo.

O ônus (obrigação) da prova está sempre com quem faz uma afirmação, nunca com quem refuta a afirmação. A impossibilidade, ou falta de intenção, de provar errada uma afirmação não a torna válida, nem dá a ela nenhuma credibilidade.

No entanto, é importante estabelecer que nunca podemos ter certeza de qualquer coisa, portanto devemos valorizar cada afirmação de acordo com as provas disponíveis. Tirar a importância de um argumento só porque ele apresenta um fato que não foi provado sem sombra de dúvidas também é um argumento falacioso.

Exemplo: Beltrano declara que uma chaleira está, nesse exato momento, orbitando o Sol entre a Terra e Marte e que, como ninguém pode provar que ele está errado, a sua afirmação é verdadeira.

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12. Ambiguidade
Você usa duplo sentido ou linguagem ambígua para apresentar a sua verdade de modo enganoso.

Políticos frequentemente são culpados de usar ambiguidade em seus discursos, para depois, se forem questionados, poderem dizer que não estavam tecnicamente mentindo. Isso é qualificado como uma falácia, pois é intrinsecamente enganoso.

Exemplo: Em um julgamento, o advogado concorda que o crime foi desumano. Logo, tenta convencer o júri de que o seu cliente não é humano por ter cometido tal crime, e não deve ser julgado como um humano normal.

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13. Falácia do apostador
Você diz que “sequências” acontecem em fenômenos estatisticamente independentes, como rolagem de dados ou números que caem em uma roleta.

Esta falácia de aceitação comum é provavelmente o motivo da criação da grande e luminosa cidade no meio de um deserto americano chamada Las Vegas.

Apesar da probabilidade geral de uma grande sequência do resultado desejado ser realmente baixa, cada lance do dado é, em si mesmo, inteiramente independente do anterior. Apesar de haver uma chance baixíssima de um cara-ou-coroa dar cara 20 vezes seguidas, a chance de dar cara em cada uma das vezes é e sempre será de 50%, independente de todos os lances anteriores ou futuros.

Exemplo: Uma roleta deu número vermelho seis vezes em sequência, então Gregório teve quase certeza que o próximo número seria preto. Sofrendo uma forma econômica de seleção natural, ele logo foi separado de suas economias.

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14. Ad populum
Você apela para a popularidade de um fato, no sentido de que muitas pessoas fazem/concordam com aquilo, como uma tentativa de validação dele.

A falha nesse argumento é que a popularidade de uma ideia não tem absolutamente nenhuma relação com a sua validade. Se houvesse, a Terra teria se feito plana por muitos séculos, pelo simples fato de que todos acreditavam que ela era assim.

Exemplo: Luciano, bêbado, apontou um dedo para Jão e perguntou como é que tantas pessoas acreditam em duendes se eles são só uma superstição antiga e boba. Jão, por sua vez, já havia tomado mais Guinness do que deveria e afirmou que já que tantas pessoas acreditam, a probabilidade de duendes de fato existirem é grande.

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15. Apelo à autoridade
Você usa a sua posição como figura ou instituição de autoridade no lugar de um argumento válido. (A popular “carteirada”.)

É importante mencionar que, no que diz respeito a esta falácia, as autoridades de cada campo podem muito bem ter argumentos válidos, e que não se deve desconsiderar a experiência e expertise do outro.

Para formar um argumento, no entanto, deve-se defender seus próprios méritos, ou seja, deve-se saber por que a pessoa em posição de autoridade tem aquela posição. No entanto, é claro, é perfeitamente possível que a opinião de uma pessoa ou instituição de autoridade esteja errada; assim sendo, a autoridade de que tal pessoa ou instituição goza não tem nenhuma relação intrínseca com a veracidade e validade das suas colocações.

Exemplo: Impossibilitado de defender a sua posição de que a teoria evolutiva “não é real”, Roberto diz que ele conhece pessoalmente um cientista que também questiona a Evolução e cita uma de suas famosas falas.

Exemplo 2: Um professor de matemática se vê questionado de maneira insistente por um aluno especialmente chato. Lá pelas tantas, irritado após cometer um deslize em sua fala, o professor argumenta que tem mestrado pós-doutorado e isso é mais do que suficiente para o aluno confiar nele.

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16. Composição/Divisão
Você implica que uma parte de algo deve ser aplicada a todas, ou outras, partes daquilo.

Muitas vezes, quando algo é verdadeiro em parte, isso também se aplica ao todo, mas é crucial saber se existe evidência de que este é mesmo o caso.

Já que observamos consistência nas coisas, o nosso pensamento pode se tornar enviesado de modo que presumimos consistência e padrões onde eles não existem.

Exemplo: Daniel era uma criança precoce com uma predileção por pensamento lógico. Ele sabia que átomos são invisíveis, então logo concluiu que ele, por ser feito de átomos, também era invisível. Nunca foi vitorioso em uma partida de esconde-esconde.

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17. Nenhum escocês de verdade…
Você faz o que pode ser chamado de apelo à pureza como forma de rejeitar críticas relevantes ou falhas no seu argumento.

Nesta forma de argumentação falha, a crença de alguém é tornada infalsificável porque, independente de quão convincente seja a evidência apresentada, a pessoa simplesmente move a situação de modo que a evidência supostamente não se aplique a um suposto “verdadeiro” exemplo. Esse tipo de pós-racionalização é um modo de evitar críticas válidas ao argumento de alguém.

Exemplo: Angus declara que escoceses não colocam açúcar no mingau, ao que Lachlan aponta que ele é um escocês e põe açúcar no mingau. Furioso, como um “escocês de verdade”, Angus berra que nenhum escocês de verdade põe açúcar no seu mingau.

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18. Genética
Você julga algo como bom ou ruim tendo por base a sua origem.

Esta falácia evita o argumento ao levar o foco às origens de algo ou alguém. É similar à falácia ad hominem no sentido de que ela usa percepções negativas já existentes para fazer com que o argumento de alguém pareça ruim, sem de fato dissecar a falta de mérito do argumento em si.

Exemplo: Acusado no Jornal Nacional de corrupção e aceitação de propina, o senador disse que devemos ter muito cuidado com o que ouvimos na mídia, já que todos sabemos como ela pode não ser confiável.

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19. Preto-ou-branco
Você apresenta dois estados alternativos como sendo as únicas possibilidades, quando de fato existem outras.

Também conhecida como falso dilema, esta tática aparenta estar formando um argumento lógico, mas sob análise mais cuidadosa fica evidente que há mais possibilidades além das duas apresentadas.

O pensamento binário da falácia preto-ou-branco não leva em conta as múltiplas variáveis, condições e contextos em que existiriam mais do que as duas possibilidades apresentadas. Ele molda o argumento de forma enganosa e obscurece o debate racional e honesto.

Exemplo: Ao discursar sobre o seu plano para fundamentalmente prejudicar os direitos do cidadão, o Líder Supremo falou ao povo que ou eles estão do lado dos direitos do cidadão ou contra os direitos.

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20. Tornando a questão supostamente óbvia
Você apresenta um argumento circular no qual a conclusão foi incluída na premissa.

Este argumento logicamente incoerente geralmente surge em situações onde as pessoas têm crenças bastante enraizadas, e por isso consideradas verdades absolutas em suas mentes. Racionalizações circulares são ruins principalmente porque não são muito boas.

Exemplo: A Palavra do Grande Zorbo é perfeita e infalível. Nós sabemos disso porque diz aqui no Grande e Infalível Livro das Melhores e Mais Infalíveis Coisas do Zorbo Que São Definitivamente Verdadeiras e Não Devem Nunca Serem Questionadas.

Exemplo 2: O plano estratégico de marketing é o melhor possível, foi assinado pelo Diretor Bam-bam-bam.

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21. Apelo à natureza
Você argumenta que só porque algo é “natural”, aquilo é válido, justificado, inevitável ou ideal.

Só porque algo é natural, não significa que é bom. Assassinato, por exemplo, é bem natural, e mesmo assim a maioria de nós concorda que não é lá uma coisa muito legal de você sair fazendo por aí. A sua “naturalidade” não constitui nenhum tipo de justificativa.

Exemplo: O curandeiro chegou ao vilarejo com a sua carroça cheia de remédios completamente naturais, incluindo garrafas de água pura muito especial. Ele disse que é natural as pessoas terem cuidado e desconfiarem de remédios “artificiais”, como antibióticos.

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22. Anedótica
Você usa uma experiência pessoal ou um exemplo isolado em vez de um argumento sólido ou prova convincente.

Geralmente é bem mais fácil para as pessoas simplesmente acreditarem no testemunho de alguém do que entender dados complexos e variações dentro de um continuum.

Medidas quantitativas científicas são quase sempre mais precisas do que percepções e experiências pessoais, mas a nossa inclinação é acreditar naquilo que nos é tangível, e/ou na palavra de alguém em quem confiamos, em vez de em uma realidade estatística mais “abstrata”.

Exemplo: José disse que o seu avô fumava, tipo, 30 cigarros por dia e viveu até os 97 anos — então não acredite nessas meta análises que você lê sobre estudos metodicamente corretos provando relações causais entre cigarros e expectativa de vida.

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23. O atirador do Texas
Você escolhe muito bem um padrão ou grupo específico de dados que sirva para provar o seu argumento sem ser representativo do todo.

Esta falácia de “falsa causa” ganha seu nome partindo do exemplo de um atirador disparando aleatoriamente contra a parede de um galpão, e, na sequência, pintando um alvo ao redor da área com o maior número de buracos, fazendo parecer que ele tem ótima pontaria.

Grupos específicos de dados como esse aparecem naturalmente, e de maneira imprevisível, mas não necessariamente indicam que há uma relação causal.

Exemplo: Os fabricantes do bebida gaseificada Cocaçúcar apontam pesquisas que mostram que, dos cinco países onde a Cocaçúcar é mais vendida, três estão na lista dos dez países mais saudáveis do mundo, logo, Cocaçúcar é saudável.

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24. Meio-termo
Você declara que uma posição central entre duas extremas deve ser a verdadeira.

Em muitos casos, a verdade realmente se encontra entre dois pontos extremos, mas isso pode enviezar nosso pensamento: às vezes uma coisa simplesmente não é verdadeira, e um meio termo dela também não é verdadeiro. O meio do caminho entre uma verdade e uma mentira continua sendo uma mentira.

Exemplo: Mariana disse que a vacinação causou autismo em algumas crianças, mas o seu estudado amigo Calebe disse que essa afirmação já foi derrubada como falsa, com provas. Uma amiga em comum, a Alice, ofereceu um meio-termo: talvez as vacinas causem um pouco de autismo, mas não muito.

***

Espero que essa lista seja útil.

Por fim, questiono: onde já identificaram falácias lógicas em seu dia-a-dia? Compartilhem suas dúvidas e percepções sobre o tema.

(Tradução das 24 falácias por: Fabio Bracht)


FÁBIO RODRIGUES
Designer, desenhista, professor de estética, guitarrista e baixista na banda Vacine, coordenador no CEBB Joinville e na Cabana PdH. Facebook e Twitter.

Outros artigos escritos por Fábio Rodrigues

texto sobre lógica e falácias (para alunos do terceiro ano manhã e noite)

retirado de : http://ateus.net/artigos/ceticismo/logica-e-falacias/


Lógica & Falácias

Matthew
Introdução

Há muito debate na Internet; infelizmente, grande parte dele possui péssima qualidade. O objetivo deste documento é explicar os fundamentos da argumentação lógica e possivelmente melhorar o nível dos debates em geral.

O Dicionário de Inglês conciso de Oxford (Concise Oxford English Dictionary) define lógica como “a ciência da argumentação, prova, reflexão ou inferência”. Ela lhe permitirá analisar um argumento ou raciocínio e deliberar sobre sua veracidade. A lógica não é um pressuposto para a argumentação, é claro; mas conhecendo-a, mesmo que superficialmente, torna-se mais fácil evidenciar argumentos inválidos.
Há muitos tipos de lógica, como a difusa e a construtiva; elas possuem diferentes regras, vantagens e desvantagens. Este documento discute apenas a Booleana simples, pois é largamente conhecida e de compreensão relativamente fácil. Quando indivíduos falam sobre algo ser “lógico”, geralmente se referem à lógica que será tratada aqui.
O que a lógica não é

Vale fazer alguns comentários sobre o que a lógica não é.

Primeiro: a lógica não é uma lei absoluta que governa o universo. Muitas pessoas, no passado, concluíram que se algo era logicamente impossível (dada a ciência da época), então seria literalmente impossível. Acreditava-se também que a geometria euclidiana era uma lei universal; afinal, era logicamente consistente. Mas sabemos que tais regras geométricas não são universais.
Segundo: a lógica não é um conjunto de regras que governa o comportamento humano. Pessoas podem possuir objetivos logicamente conflitantes. Por exemplo:
John quer falar com quem está no encargo.
A pessoa no encargo é Steve.
Logo, John quer falar com Steve.
Infelizmente, pode ser que John também deseje, por outros motivos, evitar contato com Steve, tornando seu objetivo conflitante. Isso significa que a resposta lógica nem sempre é viável.
Este documento apenas explica como utilizar a lógica; decidir se ela é a ferramenta correta para a situação fica por conta de cada um. Há outros métodos para comunicação, discussão e debate.
Argumentos

Um argumento é, segundo Monthy Phyton Sketch, “uma série concatenada de afirmações com o fim de estabelecer uma proposição definida”.

Existem vários tipos de argumento; iremos discutir os chamados dedutivos. Esses são geralmente vistos como os mais precisos e persuasivos, provando categoricamente suas conclusões; podem ser válidos ou inválidos.
Argumentos dedutivos possuem três estágios: premissas, inferência e conclusão. Entretanto, antes de discutir tais estágios detalhadamente, precisamos examinar os alicerces de um argumento dedutivo: proposições.
Proposições

Uma proposição é uma afirmação que pode ser verdadeira ou falsa. Ela é o significado da afirmação, não um arranjo preciso das palavras para transmitir esse significado.

Por exemplo, “Existe um número primo par maior que dois” é uma proposição (no caso, uma falsa). “Um número primo par maior que dois existe” é a mesma proposição expressa de modo diferente.
Infelizmente, é muito fácil mudar acidentalmente o significado das palavras apenas reorganizando-as. A dicção da proposição deve ser considerada como algo significante.
É possível utilizar a linguística formal para analisar e reformular uma afirmação sem alterar o significado; entretanto, este documento não pretende tratar de tal assunto.
Premissas

Argumentos dedutivos sempre requerem um certo número de “assunções-base”. São as chamadas premissas; é a partir delas que os argumentos são construídos; ou, dizendo de outro modo, são as razões para se aceitar o argumento. Entretanto, algo que é uma premissa no contexto de um argumento em particular, pode ser a conclusão de outro, por exemplo.

As premissas do argumento sempre devem ser explicitadas, esse é o princípio do audiatur et altera pars*. A omissão das premissas é comumente encarada como algo suspeito, e provavelmente reduzirá as chances de aceitação do argumento.
A apresentação das premissas de um argumento geralmente é precedida pelas palavras “Admitindo que…”, “Já que…”, “Obviamente se…” e “Porque…”. É imprescindível que seu oponente concorde com suas premissas antes de proceder com a argumentação.
Usar a palavra “obviamente” pode gerar desconfiança. Ela ocasionalmente faz algumas pessoas aceitarem afirmações falsas em vez de admitir que não entendem por que algo é “óbvio”. Não hesite em questionar afirmações supostamente “óbvias”.
* Expressão latina que significa “a parte contrária deve ser ouvida”.
Inferência

Umas vez que haja concordância sobre as premissas, o argumento procede passo a passo através do processo chamado inferência.

Na inferência, parte-se de uma ou mais proposições aceitas (premissas) para chegar a outras novas. Se a inferência for válida, a nova proposição também deve ser aceita. Posteriormente essa proposição poderá ser empregada em novas inferências.
Assim, inicialmente, apenas podemos inferir algo a partir das premissas do argumento; ao longo da argumentação, entretanto, o número de afirmações que podem ser utilizadas aumenta.
Há vários tipos de inferência válidos, mas também alguns inválidos, os quais serão analisados neste documento. O processo de inferência é comumente identificado pelas frases “consequentemente…” ou “isso implica que…”.
Conclusão

Finalmente se chegará a uma proposição que consiste na conclusão, ou seja, no que se está tentando provar. Ela é o resultado final do processo de inferência, e só pode ser classificada como conclusão no contexto de um argumento em particular.

A conclusão se respalda nas premissas e é inferida a partir delas. Esse é um processo sutil que merece explicação mais aprofundada.
A implicação em detalhes

Evidentemente, pode-se construir um argumento válido a partir de premissas verdadeiras, chegando a uma conclusão também verdadeira. Mas também é possível construir argumentos válidos a partir de premissas falsas, chegando a conclusões falsas.

O “pega” é que podemos partir de premissas falsas, proceder através de uma inferência válida, e chegar a uma conclusão verdadeira. Por exemplo:
Premissa: Todos peixes vivem no oceano.
Premissa: Lontras são peixes.
Conclusão: Logo, lontras vivem no oceano.
Há, no entanto, uma coisa que não pode ser feita: partir de premissas verdadeiras, inferir de modo correto, e chegar a uma conclusão falsa.
Podemos resumir esses resultados numa tabela de “regras de implicação”. O símbolo “ ” denota implicação; “A” é a premissa, “B” é a conclusão.
Regras de implicação
Premissa Conclusão Inferência
A B A B
Falsa Falsa Válida
Falsa Verdadeira Válida
Verdadeira Falsa Inválida
Verdadeira Verdadeira Válida
Se as premissas são falsas e a inferência válida, a conclusão pode ser verdadeira ou falsa (linhas 1 e 2).
Se a premissa é verdadeira e a conclusão falsa, a inferência é inválida (linha 3).
Se as premissas e inferência são válidas, a conclusão é verdadeira (linha 4).
Desse modo, o fato de um argumento ser válido não significa necessariamente que sua conclusão é verdadeira, pois pode ter partido de premissas falsas.
Um argumento válido que foi derivado de premissas verdadeiras é chamado “argumento consistente”. Esses obrigatoriamente chegam a conclusões verdadeiras.
Exemplo de argumento

A seguir está exemplificado um argumento válido, mas que pode ou não ser “consistente”.

1 — Premissa: Todo evento tem uma causa.
2 — Premissa: O Universo teve um começo.
3 — Premissa: Começar envolve um evento.
4 — Inferência: Isso implica que o começo do Universo envolveu um evento.
5 — Inferência: Logo, o começo do Universo teve uma causa.
6 — Conclusão: O Universo teve uma causa.
A proposição da linha 4 foi inferida das linhas 2 e 3. A linha 1, então, é usada em conjunto com proposição 4, para inferir uma nova proposição (linha 5). O resultado dessa inferência é reafirmado (numa forma levemente simplificada) como sendo a conclusão.
Reconhecendo argumentos

O reconhecimento de argumentos é mais difícil que das premissas ou conclusão. Muitas pessoas abarrotam textos de asserções sem sequer produzir algo que possa ser chamado argumento.

Algumas vezes os argumentos não seguem os padrões descritos acima. Por exemplo, alguém pode dizer quais são suas conclusões e depois justificá-las. Isso é válido, mas pode ser um pouco confuso.
Para piorar a situação, algumas afirmações parecem argumentos, mas não são. Por exemplo: “Se a Bíblia é verdadeira, Jesus ou foi um louco, um mentiroso, ou o Filho de Deus”.
Isso não é um argumento; é uma afirmação condicional. Não explicita as premissas necessárias para embasar as conclusões, sem mencionar que possui outras falhas *(Nota 1).
Um argumento não equivale a uma explicação. Suponha que, tentando provar que Albert Einstein acreditava em Deus, disséssemos: “Einstein afirmou que ‘Deus não joga dados’ porque cria em Deus”.
Isso pode parecer um argumento relevante, mas não é; trata-se de uma explicação da afirmação de Einstein. Para perceber isso, lembre-se que uma afirmação da forma “X porque Y” pode ser reescrita na forma “Y logo X”. O que resultaria em: “Einstein cria em Deus, por isso afirmou que ‘Deus não joga dados’”.
Agora fica claro que a afirmação, que parecia um argumento, está admitindo a conclusão que deveria estar provando.
Ademais, Einstein não cria num Deus pessoal preocupado com assuntos humanos *(Nota 2).
Leitura complementar

Esboçamos a estrutura de um argumento “consistente” dedutivo desde premissas até a conclusão; contudo, em última análise, a conclusão só pode ser tão persuasiva quanto as premissas utilizadas. A lógica em si não resolve o problema da verificação das premissas; para isso outra ferramenta é necessária.

O método de investigação preponderante é o científico. No entanto, a filosofia da ciência e o método científico são assuntos extremamente extensos e explicá-los está muito além das pretensões deste documento.
Recomenda-se a leitura de livros específicos sobre o assunto para uma compreensão mais abrangente.
Falácias

Há um certo número de “armadilhas” a serem evitadas quando se está construindo um argumento dedutivo; elas são conhecidas como falácias. Na linguagem do dia-a-dia, nós denominamos muitas crenças equivocadas como falácias, mas, na lógica, o termo possui significado mais específico: falácia é uma falha técnica que torna o argumento inconsistente ou inválido.

(Além da consistência do argumento, também se podem criticar as intenções por detrás da argumentação.)
Argumentos contentores de falácias são denominados falaciosos. Frequentemente parecem válidos e convincentes; às vezes, apenas uma análise pormenorizada é capaz de revelar a falha lógica.
A seguir está uma lista de algumas das falácias mais comuns e determinadas técnicas retóricas bastante utilizadas em debates. A intenção não foi criar uma lista exaustivamente grande, mas apenas ajuda-lo a reconhecer algumas das falácias mais comuns, evitando, assim, ser enganado por elas.
Acentuação / Ênfase

A falácia a Acentuação funciona através de uma mudança no significado. Neste caso, o significado é alterado enfatizando diferentes partes da afirmação. Por exemplo:

“Não devemos falar mal de nossos amigos”
“Não devemos falar mal de nossos amigos”
Seja particularmente cauteloso com esse tipo de falácia na internet, onde é fácil interpretar mal o sentido do que está escrito.
Ad Hoc

Como mencionado acima, argumentar e explicar são coisas diferentes. Se estivermos interessados em demonstrar A, e B é oferecido como evidência, a afirmação “A porque B” é um argumento. Se estivermos tentando demonstrar a veracidade de B, então “A porque B” não é um argumento, mas uma explicação.

A falácia Ad Hoc é explicar um fato após ter ocorrido, mas sem que essa explicação seja aplicável a outras situações. Frequentemente a falácia Ad Hoc vem mascarada de argumento. Por exemplo, se admitirmos que Deus trata as pessoas igualmente, então esta seria uma explicação Ad Hoc:
“Eu fui curado de câncer”
“Agradeça a Deus, pois ele lhe curou”
“Então ele vai curar todas pessoas que têm câncer?”
“Hmm… talvez… os desígnios de Deus são misteriosos.”
Afirmação do Consequente

Essa falácia é um argumento na forma “A implica B, B é verdade, logo A é verdade”. Para entender por que isso é uma falácia, examine a tabela (acima) com as Regras de Implicação. Aqui está um exemplo:

“Se o universo tivesse sido criado por um ser sobrenatural, haveria ordem e organização em todo lugar. E nós vemos ordem, e não esporadicidade; então é óbvio que o universo teve um criador.”
Esse argumento é o contrario da Negação do Antecedente.
Anfibolia

A Anfibolia ocorre quando as premissas usadas num argumento são ambíguas devido a negligência ou imprecisão gramatical. Por exemplo:

“Premissa: A crença em Deus preenche um vazio muito necessário.”
Evidência Anedótica

Uma das falácias mais simples é dar crédito a uma Evidência Anedótica. Por exemplo:

“Há abundantes provas da existência de Deus; ele ainda faz milagres. Semana passada eu li sobre uma garota que estava morrendo de câncer, então sua família inteira foi para uma igreja e rezou, e ela foi curada.”
É bastante válido usar experiências pessoais como ilustração; contudo, essas anedotas não provam nada a ninguém. Um amigo seu pode dizer que encontrou Elvis Presley no supermercado, mas aqueles que não tiveram a mesma experiência exigirão mais do que o testemunho de seu amigo para serem convencidos.
Evidências Anedóticas podem parecer muito convincentes, especialmente queremos acreditar nelas.
Argumentum ad Antiquitatem

Essa é a falácia de afirmar que algo é verdadeiro ou bom só porque é antigo ou “sempre foi assim”. A falácia oposta é a Argumentum ad Novitatem.

“Cristãos acreditam em Jesus há milhares de anos. Se o Cristianismo não fosse verdadeiro, não teria perdurado tanto tempo”
Argumentum ad Baculum / Apelo à Força

Acontece quando alguém recorre à força (ou à ameaça) para tentar induzir outros a aceitarem uma conclusão. Essa falácia é frequentemente utilizada por políticos, e pode ser sumarizada na expressão “o poder define os direitos”. A ameaça não precisa vir diretamente da pessoa que argumenta. Por exemplo:

“…assim, há amplas provas da veracidade da Bíblia, e todos que não aceitarem essa verdade queimarão no Inferno.”
“…em todo caso, sei seu telefone e endereço; já mencionei que possuo licença para portar armas?”
Argumentum ad Crumenam

É a falácia de acreditar que dinheiro é o critério da verdade; que indivíduos ricos têm mais chances de estarem certos. Trata-se do oposto ao Argumentum ad Lazarum. Exemplo:

“A Microsoft é indubitavelmente superior; por que outro motivo Bill Gates seria tão rico?”
Argumentum ad Hominen

Argumentum ad Hominem literalmente significa “argumento direcionado ao homem”; há duas variedades.

A primeira é a falácia Argumentum ad Hominemabusiva: consiste em rejeitar uma afirmação e justificar a recusa criticando a pessoa que fez a afirmação. Por exemplo:
“Você diz que os ateus podem ser morais, mas descobri que você abandonou sua mulher e filhos.”
Isso é uma falácia porque a veracidade de uma asserção não depende das virtudes da pessoa que a propugna. Uma versão mais sutil do Argumentum ad Hominen é rejeitar uma proposição baseando-se no fato de ela também ser defendida por pessoas de caráter muito questionável. Por exemplo:
“Por isso nós deveríamos fechar a igreja? Hitler e Stálin concordariam com você.”
A segunda forma é tentar persuadir alguém a aceitar uma afirmação utilizando como referência as circunstâncias particulares da pessoa. Por exemplo:
“É perfeitamente aceitável matar animais para usar como alimento. Esperto que você não contrarie o que eu disse, pois parece bastante feliz em vestir seus sapatos de couro.”
Esta falácia é conhecida como Argumenutm ad Hominem circunstancial e também pode ser usada como uma desculpa para rejeitar uma conclusão. Por exemplo:
“É claro que a seu ver discriminação racial é absurda. Você é negro”
Essa forma em particular do Argumenutm ad Hominem, no qual você alega que alguém está defendendo uma conclusão por motivos egoístas, também é conhecida como “envenenar o poço”.
Não é sempre inválido referir-se às circunstâncias de quem que faz uma afirmação. Um indivíduo certamente perde credibilidade como testemunha se tiver fama de mentiroso ou traidor; entretanto, isso não prova a falsidade de seu testemunho, nem altera a consistência de quaisquer de seus argumentos lógicos.
Argumentum ad Ignorantiam

Argumentum ad Ignorantiam significa “argumento da ignorância”. A falácia consiste em afirmar que algo é verdade simplesmente porque não provaram o contrário; ou, de modo equivalente, quando for dito que algo é falso porque não provaram sua veracidade.

(Nota: admitir que algo é falso até provarem o contrário não é a mesma coisa que afirmar. Nas leis, por exemplo, os indivíduos são considerados inocentes até que se prove o contrário.)
Abaixo estão dois exemplos:
“Obviamente a Bíblia é verdadeira. Ninguém pode provar o contrário.”
“Certamente a telepatia e os outros fenômenos psíquicos não existem. Ninguém jamais foi capaz de prová-los.”
Na investigação científica, sabe-se que um evento pode produzir certas evidências de sua ocorrência, e que a ausência dessas evidências pode ser validamente utilizada para inferir que o evento não ocorreu. No entanto, não prova com certeza.
Por exemplo:
“Para que ocorresse um dilúvio como o descrito pela Bíblia seria necessário um enorme volume de água. A Terra não possui nem um décimo da quantidade necessária, mesmo levando em conta a que está congelada nos pólos. Logo, o dilúvio não ocorreu.”
Certamente é possível que algum processo desconhecido tenha removido a água. A ciência, entretanto, exigiria teorias plausíveis e passíveis de experimentação para aceitar que o fato tenha ocorrido.
Infelizmente, a história da ciência é cheia de predições lógicas que se mostraram equivocadas. Em 1893, a Real Academia de Ciências da Inglaterra foi persuadida por Sir Robert Ball de que a comunicação com o planeta Marte era fisicamente impossível, pois necessitaria de uma antena do tamanho da Irlanda, e seria impossível fazê-la funcionar.
Veja também Mudando o Ônus da Prova.
Argumentum ad Lazarum

É a falácia de assumir que alguém pobre é mais íntegro ou virtuoso que alguém rico. Essa falácia é apõe-se à Argumentum ad Crumenam. Por exemplo:

“É mais provável que os monges descubram o significado da vida, pois abdicaram das distrações que o dinheiro possibilita.”
Argumentum ad Logicam

Essa é uma “falácia da falácia”. Consiste em argumentar que uma proposição é falsa porque foi apresentada como a conclusão de um argumento falacioso. Lembre-se que um argumento falacioso pode chegar a conclusões verdadeiras.

“Pegue a fração 16/64. Agora, cancelando-se o seis de cima e o seis debaixo, chegamos a 1/4.”
“Espere um segundo! Você não pode cancelar o seis!”
“Ah, então você quer dizer que 16/64 não é 1/4?”
Argumentum ad Misericordiam

É o apelo à piedade, também conhecida como Súplica Especial. A falácia é cometida quando alguém apela à compaixão a fim de que aceitem sua conclusão. Por exemplo:

“Eu não assassinei meus pais com um machado! Por favor, não me acuse; você não vê que já estou sofrendo o bastante por ter me tornado um órfão?”
Argumentum ad Nauseam

Consistem em crer, equivocadamente, que algo é tanto mais verdade, ou tem mais chances de ser, quanto mais for repetido. Um Argumentum ad Nauseamé aquele que afirma algo repetitivamente até a exaustão.

Argumentum ad Novitatem

Esse é o oposto do Argumentum ad Antiquitatem; é a falácia de afirmar que algo é melhor ou mais verdadeiro simplesmente porque é novo ou mais recente que alguma outra coisa.

“BeOS é, de longe, um sistema operacional superior ao OpenStep, pois possui um design muito mais atual.”
Argumentum ad Numerum

Falácia relacionada ao Argumentum ad Populum. Consiste em afirmar que quanto mais pessoas concordam ou acreditam numa certa proposição, mais provavelmente ela estará correta. Por exemplo:

“A grande maioria dos habitantes deste país acredita que a punição capital é bastante eficiente na diminuição dos delitos. Negar isso em face de tantas evidências é ridículo.”
“Milhares de pessoas acreditam nos poderes das pirâmides; ela deve ter algo de especial.”
Argumentum ad Populum

Também conhecida como apelo ao povo. Comete-se essa falácia ao tentar conquistar a aceitação de uma proposição apelando a um grande número de pessoas. Esse tipo de falácia é comumente caracterizado por uma linguagem emotiva. Por exemplo:

“A pornografia deve ser banida. É uma violência contra as mulheres.”
“Por milhares de anos pessoas têm acreditado na Bíblia e Jesus, e essa crença teve um enorme impacto sobre suas vida. De que outra evidência você precisa para se convencer de que Jesus é o filho de Deus? Você está dizendo que todas elas são apenas estúpidas pessoas enganadas?”
Argumentum ad Verecundiam

O Apelo à Autoridade usa a admiração a uma pessoa famosa para tentar sustentar uma afirmação. Por exemplo:

“Isaac Newton foi um gênio e acreditava em Deus.”
Esse tipo de argumento não é sempre inválido; por exemplo, pode ser relevante fazer referência a um indivíduo famoso de um campo específico. Por exemplo, podemos distinguir facilmente entre:
“Hawking concluiu que os buracos negros geram radiação.”
“Penrose conclui que é impossível construir um computador inteligente.”
Hawking é um físico, então é razoável admitir que suas opiniões sobre os buracos negros são fundamentadas. Penrose é um matemático, então sua qualificação para falar sobre o assunto é bastante questionável.
Audiatur et Altera Pars

Frequentemente pessoas argumentam partir de assunções omitidas. O princípio do Audiatur et Altera Pars diz que todas premissas de um argumento devem ser explicitadas. Estritamente, a omissão das premissas não é uma falácia; entretanto, é comumente vista como algo suspeito.

Bifurcação

“Preto e Branco” é outro nome dado a essa falácia. A Bifurcação ocorre se alguém apresenta uma situação com apenas duas alternativas, quando na verdade existem ou podem existir outras. Por exemplo:

“Ou o homem foi criado, como diz a Bíblia, ou evoluiu casualmente de substâncias químicas inanimadas, como os cientistas dizem. Já que a segunda hipótese é incrivelmente improvável, então…”
Circulus in Demonstrando

Consiste em adotar como premissa uma conclusão à qual você está tentando chegar. Não raro, a proposição é reescrita para fazer com que tenha a aparência de um argumento válido. Por exemplo:

“Homossexuais não devem exercer cargos públicos. Ou seja, qualquer funcionário público que se revele um homossexual deve ser despedido. Por isso, eles farão qualquer coisa para esconder seu segredo, e assim ficarão totalmente sujeitos a chantagens. Consequentemente, não se deve permitir homossexuais em cargos públicos.”
Esse é um argumento completamente circular; a premissa e a conclusão são a mesma coisa. Um argumento como o acima foi realmente utilizado como um motivo para que todos os empregados homossexuais do Serviço Secreto Britânico fossem despedidos.
Infelizmente, argumentos circulares são surpreendentemente comuns. Após chegarmos a uma conclusão, é fácil que, acidentalmente, façamos asserções ao tentarmos explicar o raciocínio a alguém.
Questão Complexa / Falácia de Interrogação / Falácia da Pressuposição

É a forma interrogativa de pressupor uma resposta. Um exemplo clássico é a pergunta capciosa:

“Você parou de bater em sua esposa?”
A questão pressupõe uma resposta definida a outra questão que não chegou a ser feita. Esse truque é bastante usado por advogados durante o interrogatório, quando fazem perguntas do tipo:
“Onde você escondeu o dinheiro que roubou?”
Similarmente, políticos também usam perguntas capciosas como:
“Até quando será permitida a intromissão dos EUA em nossos assuntos?”
“O Chanceller planeja continuar essa privatização ruinosa por dois anos ou mais?”
Outra forma dessa falácia é pedir a explicação de algo falso ou que ainda não foi discutido.
Falácias de Composição

A Falácia de Composição é concluir que uma propriedade compartilhada por um número de elementos em particular, também é compartilhada por um conjunto desses elementos; ou que as propriedades de uma parte do objeto devem ser as mesmas nele inteiro. Exemplos:

“Essa bicicleta é feita inteiramente de componentes de baixa densidade, logo é muito leve.”
“Um carro utiliza menos petroquímicos e causa menos poluição que um ônibus. Logo, os carros causam menos dano ambiental que os ônibus.”
Acidente Invertido / Generalização Grosseira

Essa é o inverso da Falácia do Acidente. Ela ocorre quando se cria uma regra geral examinando apenas poucos casos específicos que não representam todos os possíveis casos. Por exemplo:

“Jim Bakker foi um Cristão pérfido; logo, todos os cristãos também são.”
Convertendo uma Condicional

A falácia é um argumento na forma “Se A então B, logo se B então A”.

“Se os padrões educacionais forem abaixados, a qualidade dos argumentos vistos na internet diminui. Então, se vermos o nível dos debates na internet piorar, saberemos que os padrões educacionais estão caindo.”
Essa falácia é similar à Afirmação do Consequente, mas escrita como uma afirmação condicional.
Cum Hoc Ergo Propter Hoc

Essa falácia é similar à Post Hoc Ergo Propter Hoc. Consiste em afirmar que devido a dois eventos terem ocorrido concomitantemente, eles possuem uma relação de causalidade. Isso é uma falácia porque ignora outro(s) fator(es) que pode(m) ser a(s) causa(s) do(s) evento(s).

“Os índices de analfabetismo têm aumentado constantemente desde o advento da televisão. Obviamente ela compromete o aprendizado”
Essa falácia é um caso especial da Non Causa Pro Causa.
Negação do Antecedente

Trata-se de um argumento na forma “A implica B, A é falso, logo B é falso”. A tabela com as Regras de Implicação explica por que isso é uma falácia.

(Nota: A Non Causa Pro Causa é diferente dessa falácia. A Negação do Antecedente possui a forma “A implica B, A é falso, logo B é falso”, onde A não implica B em absoluto. O problema não é que a implicação seja inválida, mas que a falsidade de A não nos permite deduzir qualquer coisa sobre B.)
“Se o Deus bíblico aparecesse para mim pessoalmente, isso certamente provaria que o cristianismo é verdade. Mas ele não o fez, ou seja, a Bíblia não passa de ficção.”
Esse é oposto da falácia Afirmação do Consequente.
Falácia do Acidente / Generalização Absoluta / Dicto Simpliciter

Uma Generalização Absoluta ocorre quando uma regra geral é aplicada a uma situação em particular, mas as características da situação tornam regra inaplicável. O erro ocorre quando se vai do geral do específico. Por exemplo:

“Cristãos não gostam de ateus. Você é um Cristão, logo não gosta de ateus.”
Essa falácia é muito comum entre pessoas que tentam decidir questões legais e morais aplicando regras gerais mecanicamente.
Falácia da Divisão

Oposta à Falácia de Composição, consiste em assumir que a propriedade de um elemento deve aplicar-se às suas partes; ou que uma propriedade de um conjunto de elementos é compartilhada por todos.

“Você estuda num colégio rico. Logo, você é rico.”
“Formigas podem destruir uma árvore. Logo, essa formiga também pode.”
Equivocação / Falácia de Quatro Termos

A Equivocação ocorre quando uma palavra-chave é utilizada com dois um ou mais significados no mesmo argumento. Por exemplo:

“João é destro jogando futebol. Logo, também deve ser destro em outros esportes, apesar de ser canhoto.”
Uma forma de evitar essa falácia é escolher cuidadosamente a terminologia antes de formular o argumento, isso evita que palavras como “destro” possam ter vários significados (como “que usa preferencialmente a mão direita” ou “hábil, rápido”).
Analogia Estendida

A falácia da Analogia Estendida ocorre, geralmente, quando alguma regra geral está sendo discutida. Um caso típico é assumir que a menção de duas situações diferentes, num argumento sobre uma regra geral, significa que tais afirmações são análogas.

A seguir está um exemplo retirado de um debate sobre a legislação anticriptográfica.
“Eu acredito que é errado opor-se à lei violando-a.”
“Essa posição é execrável: implica que você não apoiaria Martin Luther King.”
“Você está dizendo que a legislação sobre criptografia é tão importante quando a luta pela igualdade dos homens? Como ousa!”
Ignorantio Elenchi / Conclusão Irrelevante

A Ignorantio Elenchi consiste em afirmar que um argumento suporta uma conclusão em particular, quando na verdade não possuem qualquer relação lógica.

Por exemplo, um Cristão pode começar alegando que os ensinamentos do Cristianismo são indubitavelmente verdadeiros. Se após isso ele tentar justificar suas afirmações dizendo que tais ensinamentos são muito benéficos às pessoas que os seguem, não importa quão eloquente ou coerente seja sua argumentação, ela nunca vai provar a veracidade desses escritos.
Lamentavelmente, esse tipo de argumentação é quase sempre bem-sucedido, pois faz as pessoas enxergarem a suposta conclusão numa perspectiva mais benevolente.
Falácia da Lei Natural / Apelo à Natureza

O Apelo à Natureza é uma falácia comum em argumentos políticos. Uma versão consiste em estabelecer uma analogia entre uma conclusão em particular e algum aspecto do mundo natural, e então afirmar que tal conclusão é inevitável porque o mundo natural é similar:

“O mundo natural é caracterizado pela competição; animais lutam uns contra os outros pela posse de recursos naturais limitados. O capitalismo — luta pela posse de capital — é simplesmente um aspecto inevitável da natureza humana. É como o mundo funciona.”
Outra forma de Apelo à Natureza é argumentar que devido ao homem ser produto da natureza, deve se comportar como se ainda estivesse nela, pois do contrário estaria indo contra sua própria essência.
“Claro que o homossexualismo é inatural. Qual foi a última vez em que você viu animais do mesmo sexo copulando?”
Falácia “Nenhum Escocês de Verdade…”

Suponha que eu afirme “Nenhum escocês coloca açúcar em seu mingau”. Você contra-argumenta dizendo que seu amigo Angus gosta de açúcar no mingau. Então eu digo “Ah, sim, mas nenhum escocês de verdade coloca”.

Esse é o exemplo de uma mudança Ad Hoc sendo feita para defender uma afirmação, combinada com uma tentativa de mudar o significado original das palavras; essa pode ser chamada uma combinação de falácias.
Non Causa Pro Causa

A falácia Non Causa Pro Causa ocorre quando algo é tomado como causa de um evento, mas sem que a relação causal seja demonstrada. Por exemplo:

“Eu tomei uma aspirina e rezei para que Deus a fizesse funcionar; então minha dor de cabeça desapareceu. Certamente Deus foi quem a curou.”
Essa é conhecida como a falácia da Causalidade Fictícia. Duas variações da Non Causa Pro Causa são as falácias Cum Hoc Ergo Propter Hoc e Post Hoc Ergo Propter Hoc.
Non Sequitur

Non Sequitur é um argumento onde a conclusão deriva das premissas sem qualquer conexão lógica. Por exemplo:

“Já que os egípcios fizeram muitas escavações durante a construção das pirâmides, então certamente eram peritos em paleontologia.”
Pretitio Principii / Implorando a Pergunta

Ocorre quando as premissas são pelo menos tão questionáveis quanto as conclusões atingidas. Por exemplo:

“A Bíblia é a palavra de Deus. A palavra de Deus não pode ser questionada; a Bíblia diz que ela mesma é verdadeira. Logo, sua veracidade é uma certeza absoluta.”
Pretitio Principii é similar ao Circulus in Demonstrando, onde a conclusão é a própria premissa.
Plurium Interrogationum / Muitas Questões

Essa falácia ocorre quando alguém exige uma resposta simplista a uma questão complexa.

“Altos impostos impedem os negócios ou não? Sim ou não?”
Post Hoc Ergo Proter Hoc

A falácia Post Hoc Ergo Propter Hoc ocorre quando algo é admitido como causa de um evento meramente porque o antecedeu. Por exemplo:

“A União Soviética entrou em colapso após a instituição do ateísmo estatal; logo, o ateísmo deve ser evitado.”
Essa é outra versão da Falácia da Causalidade Fictícia.
Falácia “Olha o Avião”

Comete-se essa falácia quando alguém introduz material irrelevante à questão sendo discutida, fugindo do assunto e comprometendo a objetividade da conclusão.

“Você pode até dizer que a pena de morte é ineficiente no combate à criminalidade, mas e as vítimas? Como você acha que os pais se sentirão quando virem o assassino de seu filho vivendo às custas dos impostos que eles pagam? É justo que paguem pela comida do assassino de seu filho?”
Reificação

A Reificação ocorre quando um conceito abstrato é tratado como algo concreto.

“Você descreveu aquela pessoa como ‘maldosa’. Mas onde fica essa ‘maldade’? Dentro do cérebro? Cadê? Você não pode nem demonstrar o que diz, suas afirmações são infundadas.”
Mudando o Ônus da Prova

O ônus da prova sempre cabe à pessoa que afirma. Análoga ao Argumentum ad Ignorantiam, é a falácia de colocar o ônus da prova no indivíduo que nega ou questiona uma afirmação. O erro, obviamente, consiste em admitir que algo é verdade até que provem o contrário.

“Dizer que os alienígenas não estão controlando o mundo é fácil… eu quero que você prove.”
Declive Escorregadio

Consiste em dizer que a ocorrência de um evento acarretará consequências daninhas, mas sem apresentar provas para sustentar tal afirmação. Por exemplo:

“Se legalizarmos a maconha, então mais pessoas começarão a usar crack e heroína, e teríamos de legaliza-las também. Não levará muito tempo até que este país se transforme numa nação de viciados. Logo, não se deve legalizar a maconha.”
Espantalho

A falácia do Espantalho consiste em distorcer a posição de alguém para que possa ser atacada mais facilmente. O erro está no fato dela não lidar com os verdadeiros argumentos.

“Para ser ateu você precisa crer piamente na inexistência de Deus. Para convencer-se disso, é preciso vasculhar todo o Universo e todos os lugares onde Deus poderia estar. Já que obviamente você não fez isso, sua posição é indefensável.”
Uma vez por semana aparece alguém com esse argumento na Internet. Quem não consegue entender qual é a falha lógica deve ler a Introdução ao Ateísmo.
Tu Quoque

Essa é a famosa falácia “você também”. Ocorre quando se argumenta que uma ação é aceitável apenas porque seu oponente a fez. Por exemplo:

“Você está sendo agressivo em suas afirmações.”
“E daí? Você também.”
Isso é um ataque pessoal, sendo uma variante do caso Argumentum ad Hominem.
Falácia do Meio Não-distribuído / Falácia “A baseia-se em B” ou “…é um tipo de…”
É uma falha lógica que ocorre quando se tenta argumentar que certas coisas são, em algum aspecto, similares, mas não se consegue especificar qual. Exemplos:
“A história não se baseia na fé? Então a Bíblia também não poderia ser vista como história?”
“O islamismo baseia-se na fé, o cristianismo também. Então o islamismo não é uma forma de cristianismo?”
“Gatos são animais formados de compostos orgânicos; cachorros também. Então os cachorros não são apenas um tipo de gato?”
Nota 1

Jesus: Senhor, Mentiroso ou Lunático?

“Jesus existiu? Se não, então não há o que discutir. Mas se existiu, e se autodenominava ‘Senhor’, isso significa que: ele era o Senhor, um mentiroso, ou um lunático. É improvável que ele tenha sido um mentiroso, dado o código moral descrito na Bíblia; seu comportamento também não era o de um lunático; então certamente conclui-se que ele era o Senhor.”
Primeiramente, esse argumento admite tacitamente que Jesus existiu de fato. O que é, no mínimo, algo questionável. Ele possui uma falácia lógica que poderemos chamar “Trifurcação”, por analogia com a Bifurcação. É uma tentativa de restringir a três as possibilidades que, na verdade, são muitas mais.
Duas outras hipóteses:
— A Bíblia apresenta as palavras de Jesus de modo distorcido, pois ele nunca alegou ser o “Senhor”.
— As histórias sobre ele foram inventadas ou então misturadas com fantasia pelos primeiros cristãos.
Note que no Novo Testamento Jesus não diz ser Deus, apesar de em João 10:30 ele ter dito “Eu e meu pai somos um”. A alegação de que Jesus era Deus foi feita após sua morte pelos seus doze apóstolos.
Finalmente, a possibilidade de ele ter sido um “lunático” não é tão pequena. Mesmo hoje em dia há várias pessoas que conseguem convencer multidões de que são “o Senhor” ou “o verdadeiro profeta”. Em países mais supersticiosos, há literalmente centenas de supostos “messias”.
Nota 2

Einstein e “Deus não joga dados”

“Albert Einstein acreditava em Deus. Você se acha mais inteligente que ele?”
Einstein uma vez disse que “Deus não joga dados (com o Universo)”. Essa citação é comumente mencionada para mostrar que Einstein acreditava no Deus cristão. Mas nesse caso ela está fora de contexto, pois dizendo isso ele pretendia apenas recusar alguns aspectos mais populares da teoria quântica. Ademais, a religião de Einstein era o judaísmo, não o cristianismo.
Talvez essas citações de sua autoria possam deixar a ideia mais clara:
“Eu acredito no Deus de Spinoza que se revela através da harmonia do existente, não num Deus que se preocupa com o destino e vida dos seres humanos.”
“O que você leu sobre minas convicções religiosas é uma mentira, uma mentira que está sendo sistematicamente repetida. Eu não acredito em um Deus pessoal e nunca neguei isso, mas o afirmei claramente. Se há algo em mim que pode ser chamado religião, é a minha ilimitada admiração pela estrutura do mundo.”
“Eu não acredito na imortalidade do indivíduo, e considero a moral como algo que diz respeito somente aos homens, sem qualquer relação com uma autoridade supra-humana.”